No primeiro trimestre do ano, a quantidade de exportações de petróleo do Brasil para a China mais do que dobrou em volume. De acordo com os dados do governo federal reunidos pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), de janeiro a março, o volume das vendas internacionais brasileiras de petróleo bruto para a China alcançou US$ 7,2 bilhões, montante considerado histórico para o intervalo de tempo.
Segundo informações da Folha de São Paulo, no mesmo período de 2025, as comercializações internacionais obtiveram US$ 3,7 bilhões. O crescimento observado ocorre em meio a mudanças no cenário internacional. O movimento é influenciado principalmente pelo início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, passagem responsável por cerca de um terço do transporte global de petróleo.
O impacto da guerra atingiu diretamente as importações da matéria-prima pelo país asiático, fazendo com que o Brasil passasse a ser uma das opções mais chamativas entre as produtoras de petróleo do mundo. No trimestre, a China foi destino de 57% das exportações brasileiras de petróleo, com aumento de participação para 65% após o início do conflito, em março.
Exportações gerais
Com crescimento geral de 21,7% no primeiro trimestre de 2026 na avaliação com o mesmo período de referência do ano passado, as remessas internacionais alcançam volume histórico no acumulado de janeiro a março, com vendas que atingiram, ao todo, US$ 23,9 bilhões. Os resultados mostram que as exportações de petróleo representaram 30% das vendas externas do Brasil para a China, alta de 11,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado.
O petróleo brasileiro não foi o único produto exportado à China nos primeiros três meses de 2026. De acordo com dados coletados pela CEBC, de janeiro a março, houve um aumento de 33,8% no valor de venda de carne bovina do Brasil para a China, que totalizou o montante de US$ 1,8 bilhão.
Além disso, as exportações brasileiras de ferroligas para a China também apresentou resultados duas vezes maior do que o registrado anteriormente, alcançando o recorde de US$ 478 milhões. Desse total, 63% corresponderam às vendas de ferronióbio e 29% às de ferroníquel, dois produtos da cadeia de minerais críticos.
Diversificação de fornecedores
Conforme apontado pelo O Brasilianista, com o barril do tipo Brent tendo ultrapassado US$ 100, motivado pela dificuldade no abastecimento geral, países emergentes como o Brasil passaram a ser opções na diversificação de fornecedores no mercado internacional. No caso da China, essa preferência por comprar o produto brasileiro se tornou mais intensa pelo fato de a Petrobras já ter maior presença no mercado chinês, motivação que torna a empresa uma fornecedora alternativa natural da matéria-prima.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, o valor de mercado da Petrobras subiu quase 20%, com alcance de US$ 127,5 bilhões, ficando entre os maiores aumentos das dez maiores petroleiras do mundo. Com isso, há expectativas de que o Brasil apresente melhor controle da inflação, bem como melhore a condução da política monetária.

