Pouco mais de um terço da população brasileira adulta tinha uma reserva financeira no final de 2025. Dos brasileiros com algum dinheiro guardado, somente 15% tinham valores suficientes para durar de seis meses a um ano.
É o que indica a 9ª pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha. As informações são do InfoMoney.
O levantamento foi realizado no final do ano passado e levou em conta os brasileiros com 16 anos ou mais.
A população entre 45 e 64 anos foi a que mais respondeu não ter reserva financeira. Os Millennials, aqueles com idades entre 30 e 44 anos, ficam em segundo lugar dos brasileiros com menor quantidade de reservas, representando apenas 28% dos respondentes.
Mas o cenário não é tão promissor para aqueles com alguma economia: o estudo evidenciou que 10% dos brasileiros com recursos não acreditavam ser suficiente para uma semana de despesas, enquanto outros 10% acreditavam ser suficiente para somente um mês. Mais da metade da população vive desta maneira.
Por outro lado, 15% dos brasileiros possuem reservas entre seis meses e um ano, enquanto 6% garantem recursos de um ano a dois anos, e somente 3% da população guarda dinheiro para suprir gastos acima de cinco anos. Essas pessoas representam 24% da população.
Investimentos em queda
O Raio X também indicou que o número de investidores no país caiu em 2025, saindo de 37% dos brasileiros no fim de 2024 para 36% no ano passado. Ainda assim, o ano acabou com 60,6 milhões de investidores.
Quem não investe representa 63% da população brasileira, o que significa cerca de 107,7 milhões de brasileiros.
Muitos entrevistados não consideram investimento somente como aplicação financeira, utilizando o próprio negócio, carro ou imóvel para revenda como uma fonte para receber retornos. Esse cenário justifica a queda dos brasileiros que investiram em produtos financeiros — que caíram de 11% em 2024 para 10% em 2025, na margem de erro de um ponto percentual.
Dos 60,6 milhões que investem, 46,1 milhões pretendem continuar aplicando este ano, enquanto 14,5 milhões deixarão de investir. Mas as intenções de investimento se mostram positivas: cerca de 23 milhões de pessoas desejam começar alguma aplicação em 2026.
Isso significaria um aumento de 8,7 milhões no total de investidores, para 69,3 milhões, se cumprirem o compromisso.
Aumento das bets
Apesar de um cenário econômico apertado, em que muitos brasileiros não investem ou pretendem deixar de investir, a pesquisa mostra que interesse pelas bets (apostas online) segue aumentando.
Dos entrevistados, 17% afirmam que apostam em Bets, ante 15% em 2024 e 14% em 2025. Os que mais apostam são os mais jovens, da Geração Z, com 27% do total, seguidos pelos Millennials, com 22%, e a Geração X, com 10%. Entre os mais velhos, os Boomers, apenas 4% apostam.
Conforme mostrou O Brasilianista, as apostas online são a principal causa das dívidas dos brasileiros, de acordo com um novo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School.
O levantamento calculou os impactos de quatro condições no bolso dos brasileiros: o peso do crédito sobre a renda, o patamar dos juros, o tempo das dívidas e as bets. O resultado indicou que as apostas atingiram 0,2255 dos motivos para a inadimplência, superando o impacto do crédito sobre a renda (0,0440), dos juros ao consumidor (0,0709) e do tempo de dívida (-0,0017).
Os impactos de crédito e de juros — em geral, os fatores que mais causam o endividamento no país — somados são menores que o das bets.

