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Geopolítica

Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo. Quais os impactos?

O bloqueio naval dos Estados Unidos continua

Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo. Quais os impactos?

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (17) que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” até o fim do cessar-fogo temporário estabelecido entre Irã e Estados Unidos.

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“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã”, declarou Araghchi pelo X (antigo Twitter).

De acordo com a BBC, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em sua rede social, a Truth Social, que o Irã concordou em “nunca mais fechar” o canal e que não seria mais “usado como arma contra o mundo”. Não há confirmação da parte do país pérsico se a passagem, realmente, nunca mais será fechada.

Além de agradecer a medida, Trump indicou que o estreito está “completamente aberto e pronto para negócios”.

No entanto, o bloqueio naval americano a navios iranianos deve seguir até os países firmarem acordo de paz. “O bloqueio naval seguirá com força e efeito total no que diz respeito ao Irã, até que nossa transação com o Irã esteja 100% concluída”, disse o republicano, indicando que seria um processo rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociado.

O bloqueio foi anunciado na última segunda-feira (13), em que as tropas americanas começaram a bloquear a entrada e a saída de navios dos portos iranianos no principal canal de transporte de petróleo do mundo.

Segundo a CNBC, essa seria uma tentativa de aumentar a pressão sobre o Irã para que reabra a rota após a falha das negociações de paz. O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou para os “navios de ataque rápido” iranianos não se aproximarem das forças americanas que estavam aplicando o fechamento.

“Se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, usando o mesmo sistema de eliminação que usamos contra os traficantes de drogas em barcos no mar”, escreveu Trump no Truth Social. “É rápido e brutal.”

Como mostrou O Brasilianista, o acordo de cessar-fogo inicial — estabelecido na última semana — é frágil. A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.

Impactos globais

Desde o início do conflito no Oriente Médio, internacionalistas alertam para as preocupações não apenas na região, mas em todos os países do mundo.

A instabilidade gerada pela guerra por si só pode ter efeitos econômicos, inclusive no setor industrial brasileiro a partir das ameaças aos mercados globais, conforme informações do O Brasilianista.

Em relação ao fechamento total ou parcial do Estreito Ormuz, o cenário pode ser ainda mais preocupante por ser a passagem responsável por transportar 20% da produção mundial de petróleo e gás do mundo, refletindo diretamente nos preços internacionais da energia e na segurança de diversos países dependentes do combustível. Após o início da guerra, o barril do petróleo Brent já bateu a marca dos 100 dólares.

Na prática, a prolongação do conflito pode gerar efeitos na energia elétrica a partir da maior pressão sobre a geração das termelétricas a gás, bem como aumentar os preços do gás natural e dos combustíveis. Além disso, os efeitos podem ser sentidos também nos custos das indústrias de química, bem como de siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidros.

Por que o Estreito de Ormuz é importante?

O local é a principal rota de exportação do mundo. O Estreito de Ortiz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

Por isso, seu bloqueio é de extrema preocupação para os países que comercializam com essas regiões, especialmente conhecidas pela produção de commodities, como petróleo e gás natural — os combustíveis fósseis de maior demanda.

Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

São, no total, oito ilhas principais, sendo que sete delas são controladas pelo Irã. O país mantém forte presença militar na região desde a década de 1970 e, portanto, é um dos principais balizadores do preço do petróleo.

Por sua vez, a costa sul da região é controlada pelo Omã. Ainda assim, os Emirados Árabes Unidos tentam reivindicar soberania de algumas ilhas há anos.

Vale ressaltar que não existem rotas alternativas com a mesma capacidade de escoamento imediato, o que reforça a necessidade de paz na região.

Um fechamento — seja total ou parcial — impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.

Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

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