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Geopolítica

Entenda por que a China adota postura discreta no conflito entre EUA e Irã

O movimento é visto como estratégia de se posicionar como pacificadora, ao mesmo tempo em que busca manter distância da guerra

Entenda por que a China adota postura discreta no conflito entre EUA e Irã

Em meio ao conflito armado entre os Estados Unidos e o Irã, a China se mantém em um papel mais discreto. Durante os quase 60 dias de guerra, o país asiático se manifestou poucas vezes nas primeiras semanas do início do conflito, e mesmo após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, antigo aliado de Pequim, o país continuou não se manifestando. O movimento é visto como uma estratégia de se posicionar como uma espécie de pacificadora, ao mesmo tempo em que busca manter distância da guerra.

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Após a escolha de Mojtaba como sucessor no Irã, o Ministério das Relações Exteriores da China preferiu declarar apenas foram “tomados conhecimento dos relatórios pertinentes”. Segundo análise do The Washington Post, esse esforço de se manter em uma posição mais cautelosa aponta para a delicada diplomacia chinesa. Nesse cenário, a potência coloca como prioridade evitar qualquer tensão com Washington, ao mesmo tempo que procura se apresentar como uma grande responsável.

Balança de decisões

Além disso, há fatores relevantes em risco que devem orientar essa postura, como a dependência energética da região. As preocupações econômicas e energéticas estão entre as prioridades do governo. Assim, os incentivos são poucos para um envolvimento direto na guerra, especialmente porque que a imagem do presidente Donald Trump pode se tornar mais vulnerável com a continuidade de um conflito que já impactou cadeias de suprimentos e elevou os preços do petróleo em nível global.

Com isso, mesmo tendo força geopolítica suficiente para pressionar um acordo para o fim à guerra, o líder chinês Xi Jinping não demonstrou qualquer inclinação para fazê-lo, visto que a China tem pouco a ganhar. No entanto, nesta semana, o país asiático decidiu criticar duramente o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz, ao afirmar que a ação é uma medida perigosa e irresponsável.

“Isso só agravará o confronto, aumentará a tensão, minará o já frágil cessar-fogo e colocará ainda mais em risco a passagem segura pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun. Além disso, o governo afirmou acreditar que somente um cessar-fogo completo pode criar, fundamentalmente, as condições para “aliviar a situação”.

Interferência em conflitos

Segundo o ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional para China, Taiwan e Mongólia, Ryan Hass, um do princípios fundamentais da política externa de Pequim é não interferir em conflitos internacionais. Conforme apontado, também não está entre o seu desejo chamar atenção para seu papel na guerra com o Irã, nem mesmo gerar expectativas sobre novas responsabilidades.

“Para a China, afirmar a liderança na região não é um prêmio a ser buscado, mas uma armadilha a ser evitada”, disse Hass, que agora dirige o Centro John L. Thornton para a China na Brookings Institution, um think tank com sede em Washington. “As desventuras dos Estados Unidos no Oriente Médio nas últimas décadas servem de alerta para os líderes chineses”, afirmou Hass.

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