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Geopolítica

Guerra no Oriente Médio amplia riscos para crescimento global e inflação

Especialistas do mercado entendem os números como um sinal de que o cenário econômico pode apresentar estagflação

Guerra no Oriente Médio amplia riscos para crescimento global e inflação

Projeções de que a guerra no Oriente Médio geraria impactos globais acumulados podem começar a apresentar contornos maiores nas próximas semanas. A principal preocupação é o possível choque sobre crescimento e inflação detectados pelos índices de gerentes de compras (PMIs) durante os quase 60 dias de conflitos entre os Estados Unidos e o Irã, que colocam os efeitos como questão central do debate.

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Acontece que projeções apontam que os índices de Alemanha, França, zona do euro e Reino Unido podem apresentar deterioração mais ampla. A análise é de que os indicadores norte-americanos fiquem mais estáveis, segundo informações do InfoMoney. Para a próxima semana, há expectativas da divulgação de leituras preliminares de abril sobre as economias da Austrália e dos Estados Unidos.

Cenário pessimista

Os resultados mais recentes surgem após uma semana de balanço pessimista em Washington, momento em que autoridades de finanças receberam alertas sobre o Fundo Monetário Internacional em pode haver uma série de cenários possíveis, como uma recessão global. Apesar do anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio, especialistas preveem que o dano ao crescimento e a inflação não será reversível de forma rápida.

Especialistas do mercado entendem os números como um sinal de que o cenário econômico pode apresentar estagflação, caracterizado pela combinação de baixo crescimento com inflação persistente e, caso aconteça, não será a primeira vez dos Estados Unidos nessa situação. Conforme noticiado pelo O Brasilianista, entre os anos de 1970 e 1980, os EUA sofreram com os efeitos do aumento dos preços, com adoção de juros que chegaram a 20% ao ano na tentativa de conter a crise. O país registrou queda de 1,8% no PIB em 1982, com recuperação apenas em 1983.

A crise no Estreito de Ormuz a partir do fechamento parcial da rota por onde passa 20% do petróleo mundial, assim como ataques cruzados no Líbano, dão sinais de que um acordo rápido entre os Estados Unidos e o Irã dificilmente deve acontecer. A realidade para o país norte-americano é de maiores limites em sua diplomacia.

Parte defende cautela

Segundo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional,  Kristalina Georgieva, o impacto da guerra já está embutido. “Mesmo que a guerra acabe amanhã, levaria um bom tempo até que a recuperação ganhasse tração”. No entanto, formuladores de política defendem cautela sobre como reagir ao clima de pessimismo econômico.

O economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, explicou que sua equipe pensa em tratar relatórios como os PMIs no momento de definir a taxa de juros mais tarde neste mês. “Teremos um conjunto rico de dados de pesquisa”, afirmou em Washington. “Claro que as pessoas que respondem a essas pesquisas estão olhando para o mesmo mundo que nós. O especialista afirma que, por enquanto, poucos terão uma visão decisiva sobre o que realmente vai acontecer na economia mundial.

A realidade de incerteza também é confirmada por Kristalina Georgieva, que acredita que, mesmo após uma análise mais abrangente da economia global, existem limites neste momento. “Todos nós precisamos aprender a operar em um ambiente de incerteza elevada e permanente”, afirmou.

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