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Economia

Economia brasileira avança no exterior, mas enfrenta desafios internos

Segundo o Estadão, o país bateu recorde de exportações no primeiro trimestre de 2026, com US$ 82,3 bilhões

O que acontece com seu dinheiro quando um banco quebra?

A economia brasileira atravessa um período de sinais mistos: enquanto o país ganha protagonismo no cenário internacional e registra recordes de exportação e entrada de capital estrangeiro, desafios institucionais e fiscais levantam preocupações sobre a sustentabilidade desse crescimento. O conjunto de notícias recentes revela um ambiente de oportunidades, mas também de entraves estruturais.

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De acordo com O Globo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), principal órgão regulador do mercado de capitais, enfrenta um período de fragilidade institucional. Há nove meses sem presidente efetivo e com a diretoria incompleta há mais de um ano, a autarquia opera em ritmo reduzido. Ainda segundo o jornal, o número de processos investigativos aumentou, mas nenhum caso com potencial de punição foi julgado em 2026, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de fiscalização em meio a episódios como o escândalo envolvendo o Banco Master.

O banco também aparece em outra frente. Reportagem da Folha de S.Paulo revela que o Exército credenciou a instituição para operar crédito consignado para militares, com repasses que somaram R$ 39 milhões em pouco mais de um ano. Os dados constam em relatório do Coaf enviado à CPI do Crime Organizado, encerrada sem relatório final, ampliando as incertezas sobre o caso.

No campo externo, o desempenho brasileiro tem sido mais favorável. Segundo o Estadão, o país bateu recorde de exportações no primeiro trimestre de 2026, com US$ 82,3 bilhões, acima dos US$ 76,9 bilhões do mesmo período de 2025. O principal motor foi o petróleo, cujas vendas cresceram 31%, impulsionadas pela maior demanda global em meio a tensões no Oriente Médio. A economista Julia Marasca, do Itaú, destacou ao jornal que o avanço se deu principalmente pelo aumento do volume exportado, e não pelos preços.

Ainda de acordo com o Estadão, China e Índia ampliaram significativamente suas compras de petróleo brasileiro. As exportações para os chineses praticamente dobraram, enquanto os embarques para a Índia também registraram forte alta. Por outro lado, houve queda nas vendas para os Estados Unidos, evidenciando uma mudança na geografia do comércio exterior.

O bom momento também se reflete na percepção dos investidores internacionais. Conforme o Valor Econômico, participantes dos encontros do FMI em Washington apontam o Brasil como um dos principais destinos de investimento no momento. O real tem se destacado como a moeda com melhor desempenho no ano, enquanto o Ibovespa acumula recordes, impulsionado pela entrada de recursos estrangeiros. Relatórios de bancos internacionais reforçam essa tendência.

Esse interesse, segundo o Estadão, começa a migrar de fluxos de curto prazo para investimentos mais estruturais. Gestoras relatam aumento no diálogo com fundos de pensão e grandes investidores institucionais interessados em alocações de longo prazo no país, o que pode trazer maior estabilidade ao mercado de capitais brasileiro.

Apesar desse cenário positivo, o quadro fiscal segue como ponto de atenção. O Valor Econômico informa que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece piso de gastos para o Sistema Único de Assistência Social (Suas) pode pressionar ainda mais o orçamento. Com impacto estimado em R$ 36 bilhões em quatro anos, a medida tende a reduzir as despesas discricionárias, essenciais para investimentos, já a partir de 2027, dificultando o ajuste fiscal.

No campo político-econômico internacional, o presidente Lula também tem buscado reforçar o posicionamento do Brasil. Segundo O Globo, durante discurso na Feira de Hannover, na Alemanha, Lula criticou decisões unilaterais de líderes globais e o uso de tarifas como instrumento de pressão, em referência indireta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Já o Valor Econômico destaca que, às vésperas da entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, Lula defendeu a imagem do Brasil como parceiro confiável e cobrou reconhecimento da matriz energética limpa do país, além de criticar barreiras comerciais ao biocombustível brasileiro.

No conjunto, o cenário revela uma economia que ganha relevância global e atrai capital, mas que ainda enfrenta desafios domésticos importantes, especialmente na regulação, governança institucional e equilíbrio fiscal.