O Brasil aparece como um dos países emergentes mais bem posicionados para enfrentar o choque energético provocado pelo conflito no Oriente Médio, com saldo positivo de US$ 16,4 bilhões na balança de petróleo e fertilizantes em 2025, equivalente a 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado considera superávit de US$ 32 bilhões em petróleo e déficit de US$ 15 bilhões em fertilizantes. Como informou o estudo antecipado do Estadão/Broadcast.
Vantagem comercial diante da crise
A posição favorável do Brasil está diretamente ligada ao comportamento da balança comercial em um cenário de alta dos preços de petróleo e fertilizantes, impulsionados por tensões no Estreito de Ormuz.
Esse movimento global elevou os custos de energia e insumos agrícolas, mas o impacto no Brasil foi parcialmente compensado pelo desempenho das exportações de petróleo e derivados.
Entre os países emergentes analisados, o Brasil aparece como o único entre as grandes economias com saldo líquido positivo nessas duas variáveis, o que reforça sua posição diferenciada no início do choque.
Comparação com outros países emergentes
O estudo avaliou 13 países e identificou que apenas o Brasil e a Colômbia apresentaram saldo positivo na combinação entre petróleo e fertilizantes.
Embora a Colômbia tenha apresentado proporção maior em relação ao PIB, o Brasil se destaca pelo volume absoluto mais elevado, funcionando como um “colchão” financeiro mais robusto.
Outros países relevantes, como México, China, Índia e Coreia do Sul, registraram saldo negativo, o que indica maior exposição aos efeitos da alta de energia.
Impacto sobre moedas e câmbio
O desempenho das moedas acompanhou a exposição de cada país ao choque energético, refletindo o impacto direto sobre suas economias.
No período analisado, entre o fim de fevereiro e meados de abril, o real apresentou valorização de 2,5% frente ao dólar, ficando atrás apenas do peso colombiano, que subiu 4,6%.
A valorização do real ocorreu em contraste com a depreciação observada em países com maior dependência de importações de energia.
Reservas reforçam posição externa
Além do desempenho comercial, o Brasil conta com um estoque elevado de reservas internacionais, que atingiu US$ 358 bilhões em 2025, cerca de 15,7% do PIB.
Esse volume coloca o país entre os maiores da amostra analisada e contribui para reduzir riscos em momentos de instabilidade global.
Mesmo com déficit em transações correntes equivalente a 3% do PIB, o nível de reservas atua como proteção diante de choques externos.
Estrutura fiscal e liquidez
Outro fator relevante é o baixo nível de exposição cambial da dívida pública, que estava em torno de 3,8% no fim de 2025.
Além disso, o Tesouro Nacional mantém um colchão de liquidez de aproximadamente R$ 1,2 trilhão, suficiente para cobrir cerca de sete meses de vencimentos.
Papel dos mercados emergentes
Como informou o BTG Pactual, mercados emergentes são economias em desenvolvimento que apresentam crescimento acelerado, expansão produtiva e maior dinamismo econômico.
Esses países costumam atrair investimentos por conta do potencial de valorização de ativos e da diversificação de oportunidades em diferentes setores.
Também enfrentam riscos relacionados à volatilidade cambial, instabilidade política e inflação, fatores que influenciam o desempenho em momentos de crise global.
Recursos naturais como diferencial
Uma característica comum entre mercados emergentes é a ampla disponibilidade de recursos naturais, que sustenta setores como energia, agricultura e mineração.
No caso brasileiro, essa característica contribui para a resiliência diante de choques externos, especialmente em cenários de alta de commodities.
A presença desses recursos também favorece a participação do país no comércio internacional e influencia sua posição relativa frente a outras economias em desenvolvimento.

