A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor e incluiu 43 empresas no processo ao aplicar a consolidação substancial.
A decisão também determinou a nomeação de um agente independente de fiscalização e deu início a um cronograma com suspensão de cobranças por 180 dias, além do prazo de 60 dias para apresentação de um plano de pagamento de cerca de R$ 4,3 bilhões. As informações foram divulgadas pelo MoneyTimes.
Etapas legais passam a organizar o processo
Com a decisão, entra em vigor o período de suspensão das cobranças, que impede por seis meses ações contra as empresas do grupo.
Esse intervalo é utilizado para permitir reorganização financeira e negociação com credores dentro do processo judicial.
Dentro desse prazo, o grupo precisa apresentar um plano detalhado de recuperação, com proposta de pagamento das dívidas.
Caso o documento não seja entregue no período estabelecido, a Justiça pode decretar a falência da companhia.
Também está prevista a etapa de habilitação de créditos, na qual investidores e credores devem verificar seus dados na lista oficial.
O procedimento tem prazo de 15 dias após a publicação do edital e define quem terá direito a receber valores.
Supervisão externa acompanha as operações
A decisão judicial determinou a atuação de uma empresa independente para monitorar o funcionamento do grupo durante a recuperação. A PricewaterhouseCoopers foi escolhida para exercer a função com poderes amplos de fiscalização.
A empresa poderá acessar sistemas internos, dados financeiros e documentos contábeis, além de acompanhar as atividades de forma contínua ao longo do processo.
A medida foi adotada diante de elementos levantados na ação judicial e busca garantir maior controle sobre as informações apresentadas pela companhia.
Investigação federal amplia o alcance do caso
Como divulgado pelo O Brasilianista, paralelamente à recuperação judicial, o grupo é alvo da Operação Fallax, conduzida pela Polícia Federal, que apura fraudes bancárias de grande escala e inclui o CEO Rafael de Góis entre os investigados.
A operação resultou na expedição de 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, indicando a dimensão da investigação.
Também foram autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e centenas de empresas, ampliando o volume de dados sob análise das autoridades.
Estrutura do esquema sob apuração
A investigação aponta que o grupo operava com divisão de funções e uso de diferentes empresas para viabilizar operações financeiras. O modelo começou a ser investigado após identificação de práticas consideradas irregulares em 2024.
Segundo a apuração, funcionários de instituições financeiras teriam sido cooptados para inserir dados falsos em sistemas bancários, permitindo transferências e saques sem autorização legítima.
O funcionamento do esquema incluía mecanismos que dificultavam a identificação imediata das operações, ampliando a complexidade do caso.
Ocultação de valores e bloqueios judiciais
As autoridades identificaram que os recursos movimentados eram direcionados para diferentes ativos com o objetivo de ocultar sua origem. Esse procedimento dificultava o rastreamento dos valores.
Como medida preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de bens até o limite de R$ 47 milhões, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, com penas que podem ultrapassar décadas de reclusão.
Histórico recente agravou a crise
Antes da investigação, o grupo já enfrentava dificuldades financeiras e havia informado passivo de cerca de R$ 4 bilhões. O cenário levou ao pedido de recuperação judicial.
A empresa atribuiu a crise à repercussão negativa envolvendo seu nome, o que impactou a confiança de investidores e parceiros comerciais.
Esse ambiente resultou em resgates significativos de recursos, pressionando o caixa e ampliando a dificuldade para honrar compromissos.
Tentativa de compra do Banco Master
Como informou O Brasilianista, a deterioração da situação também está ligada à tentativa de aquisição do Banco Master, anunciada em 2025 pouco antes da liquidação da instituição.
A negociação envolvia investidores internacionais e ocorreu em um momento de instabilidade do banco, o que ampliou a repercussão no mercado. Após o episódio, houve saída de investidores e agravamento da situação financeira do grupo.
Mudanças afetaram investidores
Antes do pedido de recuperação, a empresa promoveu alterações nas Sociedades em Conta de Participação, transformando investidores em credores e adiando pagamentos.
Com essa mudança, os valores passaram a ser tratados dentro das regras da recuperação judicial, impedindo cobranças imediatas.
A estrutura utilizada pelo grupo envolvia captação de recursos por meio dessas sociedades, que somaram mais de R$ 1,6 bilhão ao longo dos anos.
Impasse jurídico e financeiro
Como mostrou O Brasilianista o processo de recuperação judicial criou um cenário complexo para credores, que dependem da tramitação judicial para tentar recuperar valores.
A legislação impede a decretação imediata de falência, exigindo que a empresa passe primeiro pelo processo de reestruturação.
Perícias anexadas ao processo indicam dificuldades de liquidez, com estrutura financeira baseada em transferências entre empresas do grupo e baixa disponibilidade de caixa.
Além da recuperação judicial, a Justiça também tem adotado medidas para alcançar o patrimônio pessoal de envolvidos. Foram registrados bloqueios de bens e até de direitos de herança ligados a sócios.

