O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã acaba na noite desta quarta-feira (22), mas um acordo de paz ainda não foi firmado.
Nesta terça-feira (21), o presidente dos Estados, Donald Trump, afirmou via sua rede social, a Truth Social, que o Irã “violou o cessar-fogo inúmeras vezes”. As informações são do g1.
Perto de acabar o período temporário sem bombardeios, as negociações marcadas para acontecer no Paquistão seguem incertas. As delegações do Irã e dos EUA não embarcaram ainda para o Paquistão. A previsão é de que o vice de Trump, JD Vance, viaje ainda hoje.
Em entrevista à rede CNBC, Trump alegou que o país está em posição interessante para as negociações, o que pode resultar em um ótimo acordo. Segundo ele, o Irã “não tem escolha” a não ser aceitar as condições propostas.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, é o principal articulador do acordo pela outra parte. Além da exigência de Vance para que participe da negociação, ele já alegou que não deve aceitar condições sob a sombra de ameaças.
“Não aceitamos negociações sob a sombra de ameaças e, nas últimas duas semanas, temos nos preparado para mostrar novas cartas no campo de batalha”, escreveu em uma rede social.
“Os americanos precisam aprender que negociar é dar e receber”, disseram fontes do governo iraniano, segundo a CNN.
O que acontece se as partes não firmarem acordo?
Atualmente, o Irã reabriu o Estreito de Ormuz, mas há o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
Se o acordo não acontecer, é provável que o bloqueio total do estreito volte a acontecer, prejudicando a demanda energética de boa parte dos países do Hemisfério Norte, além de aumentar exponencialmente os preços do barril de petróleo.
Níveis de inflação e juros ficarão ainda mais incertos, prejudicando a população. Os bombardeios também podem voltar, dessa vez mais agressivos.
Quais as exigências do acordo?
O principal objetivo de guerra do presidente dos EUA, Donald Trump, era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear. No entanto, esse arsenal era algo que o Irã afirmou nunca ter planejado fazer.
Segundo a CNN, o Irã está disposto a oferecer a possibilidade de estender o período em que não poderão enriquecer urânio e entregar o elemento enriquecido para um país amigo, como o Paquistão, e reabrir o Estreito de Ormuz.
Do lado dos EUA, o acordo aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. São 15 pontos no total. Ainda, discute as rotas marítimas, como o Estreito de Ormuz. Porém, Trump está cada vez mais pressionado pelos republicanos pela crise energética que o país norte-americano sofre, o que pode prejudicar as eleições de meio mandato.
Na última segunda-feira (20), em publicação nas suas redes sociais, Trump que o novo acordo nuclear em negociação entre os EUA e Irã será melhor do que o acordo internacional firmado em 2015 para conter o programa nuclear de Teerã.
Vale lembrar que esse já era um objetivo dos EUA há muitos anos. O republicano avaliava que o acordo nuclear global com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) — intermediado pelo ex-presidente americano Barack Obama — era muito fraco.
Além disso, Trump declarou que tinha a intenção de fazer uma mudança de regime no Irã. Porém, a “rendição incondicional” dos líderes iranianos não aconteceu, mesmo com o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Isso porque seu filho, Mojtaba, foi nomeado como sucessor.

