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Geopolítica

Quais os efeitos da compra de mineradora de terras raras brasileira pelos EUA?

A única empresa de exploração dos elementos no Brasil, a Serra Verde, anunciou venda para controladora americana nesta semana

Quais os efeitos da compra de mineradora de terras raras brasileira pelos EUA?

Na última segunda-feira (20), a mineradora de terras raras Serra Verde, única em operação no país, foi adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth, em um movimento considerado estratégico para o setor de minerais críticos.

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A compra está avaliada em US$ 2,8 bilhões. Do total, US$ 300 milhões serão repassados em dinheiro, enquanto 126,9 milhões de novas ações serão emitidas para viabilizar a transação de compra.

Segundo a USA Rare Earth, empresa que trabalha com a produção de ímãs e na exploração de terras raras, a operação de venda está prevista para ser concluída até terceiro trimestre de 2026. A expectativa é que, com o novo negócio, a empresa alcance entre US$ 550 a 650 milhões em lucro bruto até 2027. As expectativas para 2030, são ainda maiores, com projeção de cerca de US$ 1,8 bilhão a partir da Serra Verde.

Com a medida, três principais dimensões de impactos devem ser consideradas na manutenção das terras raras no Brasil:

  • os impactos socioambientais, custo ambiental de extração de minério (que o Brasil já paga);
  • ceder terras raras brutas versus o uso estratégico da produção industrial com investimento estrangeiro; e
  • implicações geopolíticas de um aprofundamento da dependência exterior.

O que são terras raras?

Conforme noticiado pelo O Brasilianista, as terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, que por serem encontrados na crosta da terra são de difícil extração e refino. Entre eles estão lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.

Esses materiais são classificados como raros também por estarem presentes em poucos países do mundo, como a China, que possui 49% das reservas de terras raras.

O Brasil é o segundo país com maior reserva desses elementos, possuindo 23% das reservas de minerais, com um total de 21 milhões de toneladas, localizadas em Minas Gerais, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima. Com isso, outros países do mundo, como os Estados Unidos, dependem dessa exploração em outras nações para produção de diversas tecnologias.

Apesar da dificuldade de serem encontrados, esses elementos são considerados de extrema importância para a transição energética. Segundo o Ministério de Minas e Energia, esses materiais são utilizados na produção de turbinas eólicas e carros híbrido, assim como estão presentes no dia a dia da população, como em televisores, celulares e ímãs permanentes.

Impactos geopolíticos, econômicos e socioambientais

Terra Budini, professora de Relações Internacionais da PUC-SP explicou a esta matéria do O Brasilianista que um possível acordo de “ceder” a exploração de terras raras do Brasil não poderia ser bom para o país.

Apesar dessa articulação envolver escolhas políticas e prioridades de cada governo, o Brasil poderia se aprofundar na dependência tecnológica de outros países — seja EUA ou não — para utilizar elementos tão essenciais.

Segundo Budini, o Brasil está em uma posição estratégica — e quase exclusiva — para negociar sobre as terras raras. Ou seja, o país pode pedir investimentos para desenvolver a indústria, mas não oferecer completamente a exploração bruta desses materiais para outras nações desenvolvê-las.

“É um cenário problemático porque anula um poder importante que coloca o Brasil com um espaço de negociação, de manobra política internacional importante. Você simplesmente abrir mão disso não faz sentido do ponto de vista do lugar histórico do Brasil, da política externa brasileira no mundo”, comentou.

Para além dos impactos econômicos e geopolíticos de uma manobra como essa, a especialista reitera a importância do olhar para os efeitos socioambientais da exploração de terras raras, em qualquer nível — nacional ou internacional.

“Todo tipo de exploração de minério em larga escala, de exploração extrativista em larga escala, tem impactos socioambientais relevantes porque geralmente usam, especialmente no caso das terras raras, há dificuldades técnicas de separar os vários elementos químicos que aparecem juntos nessa formação geológica e no tipo de minério”, revelou.

Outro ponto fundamental que essa exploração impacta são as demarcações de terras indígenas. Hoje, conforme mostra o Observatório da Transição Energética, projeto de jornalismo de dados da Repórter Brasil, há ao menos 278 terras indígenas cercadas por requerimentos de exploração dos chamados “minerais críticos”. Esse total representa 44% das áreas indígenas do país.

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