De acordo com a 68ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: mercado de trabalho na visão da população, divulgada na última sexta-feira (17/04), pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), menos de 45% dos brasileiros têm uma habilidade consideravelmente média-alta ou alta em tarefas digitais mais complexas, como configuração de programas, aplicativos e computadores, planilhas e uso da inteligência artificial.
Olhando para o lado das tarefas consideravelmente básicas, sobe para pouco mais de 64% o percentual de trabalhadores com habilidade média-alta ou alta em tarefas como navegação na internet, uso de aplicativos de mensagens e transações financeiras. As informações são do Portal da Indústria.
Domínio dos mais jovens
Entre as pessoas de 35 a 44 anos, quando se trata das tarefas mais complexas, a porcentagem de quem tem uma habilidade média-alta ou alta é de 53,4%. Já entre as pessoas com a faixa etária de 45 a 59 anos, esse número cai para os 36%. O mesmo acontece com as de 60 anos ou mais, com uma queda drástica para menos que 10%.
“Considerando que essas pessoas [35 a 44 anos] ainda têm uma vida laboral a ser percorrida, é necessário que elas se capacitem e se adaptem às novas tecnologias, para que elas possam continuar inseridas no mercado de trabalho cada vez mais tecnológico”, diz a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão.
Quando se trata do público jovem, essa porcentagem revela um grande aumento. Na faixa dos 16 a 24 anos, pouco mais de 65% dos jovens possuem uma habilidade média-alta ou alta lidando com tarefas mais complexas. Com uma pequena queda em relação a essa porcentagem, 63,2% tem o mesmo domínio, mas relacionados as pessoas com 25 a 34 anos.
“Além de ter mais facilidade por estar em formação e ter um contato continuado com essas tecnologias, o jovem está inserido em um mercado de trabalho mais dinâmico, no qual o domínio de tarefas digitais complexas é indispensável. Isso que faz com que eles tenham um grau de maturidade digital muito maior”, afirma Claudia.
Informações da pesquisa
Realizado entre os dias 10 a 15 de outubro de 2025 pela Nexus, o levantamento teve uma participação de 2.008 entrevistados a partir dos 16 anos, percorrendo os 26 estados do Brasil, além do Distrito Federal.
O objetivo foi medir o nível de maturidade digital dos brasileiros, colocando 16 atividades pelas quais eles dessem nota de acordo com suas habilidades. O sistema funcionava de 1 a 5, onde o número 1 significava “não tenho nenhuma habilidade” e o 5 correspondia a “tenho muita habilidade”. Entre as tarefas, sete eram básicas e nove eram mais complexas.
Após as respostas dos entrevistados, todos os resultados foram transformados em um indicador com uma escala de 0 a 100. Dessa forma, a divisão ficava da seguinte maneira:
- Habilidade baixa: entre 0 e 25;
- Habilidade média-baixa: entre 25 e 50;
- Habilidade média-alta: entre 50 e 75;
- Habilidade alta: entre 75 e 100.
“A menor maturidade digital para atividades complexas mostra que o brasileiro precisa se capacitar para continuar acompanhando o avanço das tecnologias, como a indústria 4.0, a robotização e a inteligência artificial. A habilidade de lidar com tarefas mais complexas se torna obrigatória e diferencial dentro do mercado de trabalho”, destaca a economista Claudia Perdigão.

