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Geopolítica

Irã cobra pedágio no Estreito de Ormuz durante extensão do cessar-fogo

Os países envolvidos na guerra ainda não chegaram a um acordo

Irã cobra pedágio no Estreito de Ormuz durante extensão do cessar-fogo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o cessar-fogo da guerra com o Irã foi ampliado por tempo indeterminado, após os países não chegarem a um acordo de paz, que deveria ser assinado na última quarta-feira (22).

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Nesta quinta-feira (23), o governo do Irã alega que já cobrou seu primeiro pedágio pelos navios que passam pelo Estreito de Ormuz, o principal canal de transporte da commodity no mundo em que passavam 20% do fornecimento global. O país já havia alertado sobre essa possibilidade.

Segundo o Uol, o valor cobrado já foi depositado no Banco Central iraniano, mas não foi informado quanto. O anúncio foi realizado pelo vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamidreza Hajibabaei.

Principal controlador da rota, o Irã permite no momento uma passagem reduzida de embarcações, cobrando impostos de quem realiza transporte de carga pela região. Até o momento, não há indicações de que a passagem seja totalmente liberada e sem impostos, como estava antes da guerra.

Agências de notícias iranianas indicaram que os navios devem pagar um pedágio proporcional à sua carga, um valor que giraria em torno de US$ 1 por barril de petróleo a bordo.

Isso pode aumentar ainda mais a crise energética e custos para adquirir o petróleo, o que afeta especialmente países europeus, a China e os Estados Unidos.

Ainda de acordo com o Uol, o Irã informou ter apreendido dois navios, em resposta direta ao bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.

Passagem parcialmente bloqueada

Os navios ainda temem passar pelo Estreito. Antes da guerra, mais de 150 embarcações cruzavam a região todos os dias. Na última quarta-feira (22), foram registradas somente nove travessias e, no dia anterior, quatro.

“Ataques físicos e apreensões continuam sendo uma preocupação concreta. Vários navios porta-contêineres apagaram seus sinais em 18 de abril enquanto transitavam em comboio. Em condições normais, embarcações que deixam de transmitir sinal durante a travessia do Estreito de Hormuz geralmente reaparecem alguns dias depois, mas neste caso três navios cargueiros reapareceram ainda dentro do Estreito”, dizem analistas da consultoria de energia Kpler, ainda de acordo com o Uol.

Vale lembrar que o Irã ainda não confirmou se aceitam a extensão do cessar-fogo anunciada por Trump. Por enquanto, o país segue com a apreensão de navios.

O que prevê o acordo de paz?

O Irã disputa com EUA e Israel a possibilidade de controle do Estreito de Ormuz. Para o presidente dos EUA, Donald Trump, o principal objetivo da guerra era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear.

Do lado dos EUA, o acordo aborda os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. São 15 pontos no total. Ainda, discute outras rotas marítimas, além do Estreito de Ormuz.

O problema é que o republicano está cada vez mais pressionado pelos parlamentares e apoiadores do seu partido pela crise energética que o país norte-americano sofre, o que pode prejudicar as eleições de meio mandato.

Até o momento, o Irã desconsiderou todas as condições de negociação com os adversários.

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