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Política

Uso de IA por líderes políticos levanta dilema entre confiança e engajamento

Ferramentas ampliam alcance de campanhas, mas também aumentam riscos de desinformação e manipulação de narrativas

Uso de IA por líderes políticos levanta dilema entre confiança e engajamento

O uso crescente de inteligência artificial (IA) por lideranças políticas tem ampliado o alcance das campanhas e transformado a comunicação com eleitores, mas também levanta questionamentos sobre credibilidade e limites éticos.

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O tema ganhou relevância com a disseminação de ferramentas capazes de gerar conteúdos personalizados em larga escala, cenário que, segundo especialistas, exige novas formas de regulação e adaptação institucional.

De acordo com estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a incorporação da inteligência artificial já faz parte da rotina de organizações e tende a se expandir também na esfera política.

A pesquisa indica que 78% das empresas globais utilizam IA em ao menos uma função, o que reforça o avanço da tecnologia em diferentes setores e sinaliza impactos também sobre a comunicação pública e eleitoral.

Ampliação de alcance e redução de custos

O uso da inteligência artificial por políticos pode gerar ganhos operacionais e ampliar a interação com eleitores, especialmente em ambientes digitais.

Segundo Tiago Morelli, fundador da Go Enablers e da Zaia, a tecnologia permite reduzir custos e aumentar a eficiência das campanhas.

“Na realidade, depende de como essa tecnologia será utilizada. Por exemplo, pode gerar credibilidade através de um agente de IA que tira dúvidas do eleitor sobre o plano do político, ou mesmo economizando drasticamente o custo audiovisual das campanhas através do uso das tecnologias de inteligência artificial para geração de áudio, vídeo e foto”, afirma.

Ele destaca que a capacidade analítica da IA amplia o acesso a dados e facilita a tomada de decisão, o que também pode ser aplicado à estratégia política.

Algoritmos permitem identificar padrões de comportamento e adaptar mensagens com maior precisão. Esse tipo de aplicação tende a tornar campanhas mais segmentadas e direcionadas.

Riscos de desinformação em escala

A mesma tecnologia que amplia a eficiência também pode ser usada para disseminar conteúdos enganosos. Para Morelli, o principal risco está na capacidade de escalar estratégias de desinformação.

“Se mal utilizada, pode amplificar a desinformação, que infelizmente serve de estratégia de campanha para muitos, em uma escala que a gente ainda não viu”, avalia.

Um dos desafios centrais da inteligência artificial está nos vieses automatizados e na dependência excessiva de algoritmos.

Decisões baseadas exclusivamente em sistemas automatizados podem reproduzir distorções e comprometer a qualidade da informação.

Além disso, a tecnologia permite a criação de conteúdos altamente realistas, o que dificulta a identificação de informações falsas.

Narrativas personalizadas

Outro ponto destacado pelo especialista é o uso da inteligência artificial para adaptar discursos de forma individualizada.

A tecnologia permite que mensagens sejam moldadas de acordo com o perfil de cada eleitor, o que altera a dinâmica tradicional das campanhas.

“Entendo que vai além dos deepfakes que viralizam por aí. A verdadeira oportunidade ou perigo está na capacidade dos modelos se adaptarem na criação da narrativa que o eleitor quer ouvir, seja aquilo verdadeiro ou não”, explica Morelli.

Esse tipo de aplicação reforça a importância de competências como pensamento crítico e alfabetização em dados.

Liderança na era digital precisa combinar tecnologia com discernimento humano para evitar distorções.

A personalização em larga escala pode aumentar o engajamento, mas também levanta dúvidas sobre a integridade do processo democrático.

A adaptação de mensagens pode dificultar o acesso a informações consistentes e comparáveis entre diferentes grupos de eleitores.

Regras e limites para uso eleitoral

Diante dos riscos associados à inteligência artificial, órgãos reguladores têm estabelecido normas para limitar seu uso em campanhas.

Em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou regras específicas para o uso da tecnologia durante o período eleitoral.

“Parece prudente, certo? Mas acredito ser um tiro no pé, pois tais restrições impedirão riscos, mas principalmente os ganhos que podem vir do uso dessa tecnologia”, afirma Morelli.

Entre as medidas estão a exigência de transparência em conteúdos gerados por IA, a proibição de deepfakes e restrições ao uso de ferramentas nos dias que antecedem a votação.

A utilização de mecanismos não oficiais pode dificultar o controle e ampliar o alcance de conteúdos fora das normas.

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