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Geopolítica

Guerra da IA na política: vídeos, sátiras e ataques digitais ganham força no mundo

Casos recentes mostram uso da tecnologia para a construção de narrativas em escala global

Guerra da IA na política: vídeos, sátiras e ataques digitais ganham força no mundo

O uso de inteligência artificial (IA) por líderes políticos tem se intensificado em diferentes países, combinando estratégias de comunicação, sátira e ataque em meio a disputas eleitorais e conflitos internacionais.

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Episódios recentes, como o vídeo divulgado pelo Irã em que o ex-presidente americano Donald Trump é retratado sendo jogado no inferno pela figura de Jesus, ampliam o debate sobre os limites e os riscos dessa tecnologia no ambiente político.

Esse tipo de conteúdo não é isolado. Casos envolvendo líderes do mundo todo mostram que a inteligência artificial passou a ser usada tanto para reforçar narrativas quanto para ironizar adversários.

A prática levanta questionamentos sobre credibilidade, impacto na opinião pública e potencial de manipulação em larga escala, especialmente em contextos sensíveis como guerras e eleições.

Segundo o especialista em tecnologia Tiago Morelli, fundador da Go Enablers e Zaia, o efeito da inteligência artificial depende diretamente da forma como ela é aplicada no ambiente político.

“Por exemplo, pode gerar credibilidade através de um agente de IA que tira dúvidas do eleitor sobre o plano do político, ou mesmo economizando drasticamente o custo audiovisual das campanhas através do uso das tecnologias de inteligência artificial para geração de áudio, vídeo e foto”, disse.

“E se mal utilizada, pode amplificar a desinformação, que infelizmente serve de estratégia de campanha para muitos, em uma escala que a gente ainda não viu”, afirma.

Irã x EUA

Outra produção semelhante mostrou Trump sendo ironizado ao receber uma mensagem com a frase “cale a boca”, também em um vídeo gerado artificialmente.

O conteúdo foi divulgado pela agência estatal FARS e reforça o uso da tecnologia como ferramenta de provocação entre países.

Coreia do Sul

O uso de inteligência artificial na comunicação política não se restringe a contextos de guerra. Em diferentes países, líderes têm utilizado a tecnologia para construir imagens públicas ou responder a críticas.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, publicou um vídeo em que aparece, ainda criança, abraçando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A montagem combina imagens reais e artificiais para reforçar uma narrativa de proximidade entre os dois líderes.

Caso na índia

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi reagiu a um vídeo criado por IA em que aparece dançando e sendo chamado de “ditador”.

Modi respondeu com ironia, destacando o caráter criativo do conteúdo, enquanto autoridades investigavam possíveis irregularidades na disseminação de vídeos semelhantes.

Campanha Trump

Já nos Estados Unidos, Trump tem sido protagonista frequente desse tipo de conteúdo. O líder republicano publicou imagens em que aparece como Jesus Cristo, além de outras montagens em que assume papéis simbólicos ou fictícios, como guerreiro Jedi ou figura central em cenários políticos imaginários.

Desinformação e personalização ampliam alcance

A principal preocupação associada ao uso de inteligência artificial na política está na capacidade de personalizar mensagens e influenciar percepções individuais.

A tecnologia permite criar conteúdos adaptados a diferentes perfis de eleitores, ampliando o alcance das campanhas.

Tiago Morelli explica que esse fenômeno vai além dos deepfakes tradicionais e envolve uma mudança estrutural na comunicação política.

“Imagino ser muito menos óbvio do que a gente geralmente pensa. Entendo que vai além dos deepfakes que viralizam por aí. A verdadeira oportunidade ou perigo está na capacidade dos modelos se adaptarem na criação da narrativa que o eleitor quer ouvir, seja aquilo verdadeiro ou não”, explica.

Esse tipo de estratégia já foi observado em países como a Índia, onde mensagens personalizadas foram distribuídas por aplicativos de mensagem.

A capacidade de adaptação em escala permite que diferentes versões de uma mesma campanha sejam direcionadas a públicos específicos.

Caso Colômbia

Na Colômbia, o uso da inteligência artificial chegou a um novo nível com a candidatura da avatar Gaitana IA, que disputa uma vaga no Congresso em um modelo híbrido.

Como informou O Brasilianista, a proposta prevê que representantes humanos ocupem formalmente o cargo, enquanto decisões legislativas seriam orientadas por consultas digitais feitas à população por meio de uma plataforma.

O sistema permite que eleitores utilizem um chatbot para discutir propostas e definir posicionamentos, com a promessa de ampliar a participação política.

Regulação tenta conter riscos eleitorais

Diante da expansão do uso de inteligência artificial na política, autoridades eleitorais têm buscado estabelecer regras para limitar abusos e garantir transparência. No Brasil, medidas recentes tentam equilibrar inovação e controle.

Segundo Tiago Morelli, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu diretrizes específicas para o uso da tecnologia em campanhas.

“Em março de 2026, o TSE aprovou resoluções unânimes que estabeleceram regras claras para as eleições, basicamente: transparência obrigatória, proibição absoluta de deepfakes, restrição temporal e controle sobre chatbots”, destaca.

As normas exigem identificação de conteúdos manipulados e proíbem simulações enganosas de candidatos. Além disso, estabelecem limites para o uso de inteligência artificial nos dias que antecedem a votação.

Apesar das restrições, o especialista avalia que o debate sobre o tema ainda está em evolução. O avanço da tecnologia e sua rápida adoção por líderes políticos indicam que novas formas de uso devem continuar surgindo, exigindo atualização constante das regras e mecanismos de controle.

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