A crise do petróleo pode se agravar mais ainda enquanto Estados Unidos, Israel e Irã não definem um acordo de paz.
Mesmo com o cessar-fogo, navios ainda temem passar pelo Estreito de Ormuz, principal passagem de 20% da demanda global da commodity e bloqueada parcialmente por autoridades iranianas e americanas.
Antes da guerra, mais de 150 embarcações cruzavam a região todos os dias. Na última quarta-feira (22), como mostrou O Brasilianista, foram registradas somente nove travessias e, no dia anterior, quatro. O Irã também passou a cobrar pedágio das embarcações que tentam utilizar a passagem.
Segundo um relatório da JP Morgan, o consumo de petróleo no mundo caiu mais nestes quase dois meses de guerra do que durante o auge da crise financeira global de 2009. As informações são do Brazil Journal.
A demanda de petróleo caiu 2,8 milhões de barris em março e de 4,3 milhões em abril, frente a uma queda de aproximadamente 2,5 milhões na recessão de 2009.
Porém, a queda da oferta foi muito pior, o que pode pressionar ainda mais os preços do barril de petróleo Brent. Atualmente cotados em torno de US$ 100 por barril, esse valor tem projeção de subir mais ainda, de acordo com os analistas da instituição.
A equipe do banco avalia que, diante da magnitude do conflito e constantes ameaças, as cotações da commodity não atingiram ainda os níveis “extremos”.
Bloqueio impede demanda alta de petróleo
A interrupção da passagem pelo Estreito de Ormuz paralisa o fluxo de quase 14 milhões de barris por dia (bpd). Somente a Arábia Saudita, por exemplo, conseguia extrair 10 milhões de barris diários antes da guerra.
Segundo o JP Morgan, ainda que sejam retirados 8 milhões de barris por dia da oferta, seria necessário que a demanda caísse em 2 milhões de barris para equilibrar os valores.
O relatório reitera que esse é um volume muito grande para ser absorvido somente pelos mercados emergentes, como o Brasil, que é um forte exportador da commodity.
“Em termos práticos, a Europa e os EUA também precisarão participar. Para que isso aconteça, os preços provavelmente precisam subir ainda mais”, indicam os analistas.
Os valores de combustíveis ao redor do mundo quase dobraram influenciados pela medida. “Ainda assim, os preços não parecem altos o suficiente para explicar, por si só, uma queda na demanda nessa magnitude, ou assim tão rápida. Isso sugere que muito disso não é a tradicional destruição de demanda via preços, mas perdas forçadas pela falta de suprimentos”, diz o banco.
Regiões mais impactadas
O Oriente Médio e a Ásia são as regiões mais afetadas pela escassez do petróleo, visto que são dependentes da commodity por diversos fatores.
Porém, as Américas estão mais “isoladas” no curto prazo, justificadas pela maior flexibilidade da oferta doméstica e do colchão de estoques.
“Mesmo assim, os preços nos postos estão começando a diminuir o uso discricionário de veículos nos EUA, e o aumento de preços começa a diminuir a demanda por aviões”, alertam os analistas.

