O yuan é a moeda oficial da China. No ano passado, quase um terço do comércio exterior do país foi feito em yuan em vez de dólar, que é uma moeda utilizada globalmente para transações financeiras.
Segundo o g1, isso é resultado de uma estratégia criteriosa de Pequim que busca internacionalizar a moeda por meio do comércio, dívida externa e novas maneiras de transações que não dependam das soluções ocidentais.
Porém, especialistas ouvidos pelo portal não acreditam que a moeda chinesa seja capaz de substituir o dólar. Na realidade, o plano central da China não é esse, pelo menos por enquanto. O país busca descentralizar seu comércio do dólar desde o início da década dos anos 2000.
Na ocasião, o Banco Popular da China (BPC), autoridade monetária do país, estava preocupado com a impressão agressiva de dinheiro pelo Banco Central americano, o Federal Reserve. Isso colocava em risco os valores de seus ativos estrangeiros. O programa para aumentar a exposição do yuan causou um efeito positivo.
No ano passado, a moeda foi usada em 30% dos 6,2 trilhões de dólares (R$ 33 trilhões) em comércio global de bens da China, compartilhou o vice-governador do BPC, Zhu Hexin. As informações são do g1.
O yuan também superou brevemente o euro em 2024 como a segunda moeda mais usada no financiamento do comércio global. Apesar disso, seguia com 5,8% do mercado, contra 82% do dólar, segundo a Swift, rede global de mensagens entre bancos para liquidar pagamentos internacionais.
Como a China aumentou o uso do yuan?
Especialistas indicam que a China tomou três frentes para aumentar a exposição do yuan nos últimos anos.
A primeira foi aumentar o papel da moeda no comércio global, especialmente nas transações com os países do Hemisfério Sul e Brics, bem como a Rússia, que já buscavam uma alternativa ao dólar para manter as balanças comerciais no azul. Nesse caso, a opção é regionalizar o uso do yuan com esses parceiros.
A China também impulsionou o yuan no uso de crédito externo, ou seja, ajudando a financiar a dívida pública de outros países. As participações externas de empréstimos, depósitos e títulos em yuan quadruplicaram para 480 bilhões de dólares em cinco anos (R$ 2,5 trilhões), ainda de acordo com o g1. Facilidades na concessão de crédito, bem como juros baixos aumentaram a adesão dos governos a esse modelo.
Por fim, a terceira frente para crescer com a moeda foi construir uma estrutura financeira que pudesse operar independentemente dos sistemas já dominados pelo dólar. Por exemplo, a criação do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China (CIPS), que se tornou uma alternativa ao Swift para transações internacionais. Ainda, o país testa uma possível moeda digital, que poderia facilitar os pagamentos e adesão ao yuan, descentralizando a dependência de bancos ocidentais.
O yuan vai se tornar maior do que o dólar?
Até o momento, essa não é uma possibilidade. O objetivo da China é descentralizar as suas operações no dólar, mas construindo uma base sólida com parceiros já estabelecidos.
Aos poucos, bancos tradicionais europeus também aderiram aos modelos de transações chineses, mas o dólar segue há 80 anos como principal moeda — e levaria mais tempo para a China alcançar esse patamar.

