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Geopolítica

Donald Trump é louco? A visão externa do presidente dos EUA

Parlamentares, americanos e mídia estrangeira questionam a capacidade do republicano de seguir no cargo

Donald Trump é louco? A visão externa do presidente dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completa 80 anos em junho deste ano. Para além da idade avançada, recentes falas e atitudes do republicano colocam sua saúde mental sob questionamentos do Congresso americano e também mundo afora.

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Nesta semana, a revista francesa L’Express divulgou uma reportagem que duvida a capacidade mental do americano de ser presidente do país, sob uma análise psiquiátrica. Outros canais de mídia franceses também duvidam da sanidade do republicano.

O texto descreve que a campanha contra o Irã destacou uma série de mensagens “tão grosseiras quanto incoerentes”, exemplificando a fala de Trump ao anunciar uma ameaça de morte de uma “civilização inteira” antes de declarar uma trégua de duas semanas poucas horas depois.

Uma semana depois, o presidente americano provocou um escândalo ao criticar o papa Leão XIV após o líder da Igreja Católica condenar os ataques dos EUA ao Irã.

Ainda, o periódico afirma que os detratores não são apenas psiquiatras ou oponentes democratas, mas também membros do próprio partido republicano e, às vezes, até mesmo “antigos apoiadores para quem o ocupante do Salão Oval supostamente enlouqueceu”.

De toda forma, todos convergem para uma exigência concreta, segundo a revista francesa: invocar a Vigésima Quinta Emenda da Constituição, que prevê a possível substituição do presidente americano em caso de incapacidade de governar. No entanto, isso poderia ter repercussões muito mais graves.

Faca política de dois gumes

De acordo com o portal Terra, outros meios de comunicação franceses reforçam a ideia de que debater sobre a saúde mental de Donald Trump poderia ser uma “faca política de dois gumes”.

Ao mesmo tempo que acionar a emenda demandaria maioria absoluta no Congresso — o que os democratas não possuem —, duvidar se o presidente de uma das maiores potências econômicas e políticas do mundo pode influenciar a percepção de uma crise muito maior para o cenário global.

Em entrevista à rádio pública France Inter, o neuropsiquiatra Boris Cyrulnik alegou que o republicano não é um “louco irresponsável”, mas caracterizou Trump como “um psicopata que tem o dinheiro como único valor da condição humana”.

Nesse cenário de queda de popularidade, em especial com os próprios americanos, a L’Express questiona se Trump vive “o início do fim de seu poder”.

“O 47º presidente dos Estados Unidos ainda tem várias cartas na manga e já demonstrou diversas vezes sua habilidade em transformar críticas em armas políticas”, afirma o texto.

Custos da “loucura”

O principal risco que Donald Trump corre em meio a desconfiança em seu governo é a perda de aliados nas eleições de meio mandato. Apesar de seguir no poder até 20 de janeiro de 2029, o republicano pode chegar ao final do mandato com menos colegas do que imaginava.

O tempo de conflito e do cessar-fogo ainda está indeterminado, mas os preços do petróleo seguem em níveis por volta dos US$ 100 por barril enquanto não há acordo de paz.

Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça como fator decisivo no voto dos americanos.

Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado.

Essa é uma grande oportunidade para Trump manter os republicanos como maioria nas Casas Legislativas.

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