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Política

Possível fim da escala 6×1 leva varejo a diminuir jornadas para atrair trabalhadores

Especialistas afirmam que o setor percebeu que cargas horárias desgastantes elevam a rotatividade e os custos de contratação

Possível fim da escala 6×1 leva varejo a diminuir jornadas para atrair trabalhadores

A proposta do fim da escala 6×1 chega à sociedade motivada por pressão social e política, passando também a ser uma exigência de gestão dentro das empresas, principalmente para as que necessitam de mais mão de obra. Há um movimento no setor varejista, desde o início do ano, em que companhias têm adotado a jornada de trabalho 5×2 como forma de atrair novos funcionários e se adaptar a possíveis mudanças no mercado de trabalho caso a medida seja aprovada no Congresso Nacional.

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Recentemente, o Savegnago Supermercados, presente em 20 cidades do estado de São Paulo e com cerca de 12 mil funcionários, informou que todas as suas unidades passariam a adotar a escala 5×2. No mesmo movimento, a rede Atacadista Super Adega, com unidades no Distrito Federal, anunciou em suas redes sociais também a redução da jornada de trabalho em todas as lojas. A iniciativa, que busca atrair novos trabalhadores, também chamou atenção quando a empresa expôs uma faixa em frente às unidades anunciando a mudança.

Escassez de contratações

A nova dinâmica de adaptação é confirmada por especialistas do setor, que afirmam que do ponto de vista empresarial, parte do varejo percebeu que continuar insistindo em jornadas muito desgastantes aumenta a rotatividade, o absenteísmo e a dificuldade de contratação, especialmente entre os jovens. Pesquisa do FGV IBRE identificou que, em 2024, mais de 57% das empresas dos setores de comércio, serviços, indústria e construção afirmaram ter dificuldade em realizar novas contratações ou reter colaboradores, o varejo ampliado é responsável por 77,3% dessa realidade.

Além disso, o cenário aponta que grande parte dos brasileiros apoia a redução da jornada de trabalho. Segundo levantamento realizado pelo Datafolha, sete em cada dez pessoas defendem o fim da escala 6×1, tendência que aponta para uma possível mudança na percepção sobre as relações de trabalho. O sócio de Risco e Sustentabilidade da Baker Tilly Brasil, Gabriel Buzzi, afirma que em setores em que há mais oferta de emprego, o trabalhador tende a escolher lugares em que a jornada é a de 5×2, com base na qualidade de vida e o varejo que ignora este detalhe está com a “visão defasada”.

Percepção de imagem empresarial

De acordo com a professora de empreendedorismo e coordenadora do Hubs IBMEC, Hannah Salmen, a antecipação ao fim da escala 6×1 é motivada por uma série de fatores, que além da preparação em si, envolvem a construção de imagem baseada em ser uma empresa mais atrativa para se trabalhar. A especialista explica que neste momento a estratégia também é reorganizar as equipes antes de uma eventual determinação legal para garantir uma transição mais eficiente.

“Eu diria que a adoção da 5×2 já aponta mais para mudança estrutural do que para estratégia momentânea, embora os dois elementos coexistam. Ela é estratégica porque responde à disputa por talento, imagem empregadora e risco regulatório. Mas ela também é estrutural porque reflete uma mudança mais profunda na relação entre trabalho, tempo e qualidade de vida”, afirma Salmen.

No entanto, antes mesmo das questões estruturais, Buzzi explica que a adoção dessas mudanças, antecipadamente a eventuais determinações legais, vai além do altruísmo, sendo motivada principalmente por uma lógica estratégica e de cálculo econômico. Segundo ele, o varejo convive há anos com uma rotatividade de trabalhadores que torna o custo de reposição de mão de obra um problema operacional crônico.

“Quando a empresa percebe que a escala de trabalho é uma das principais razões de demissão, passa a tratá-la como variável de gestão. Soma-se o debate público sobre a escala 6×1, impulsionado por redes sociais e propostas no Congresso, criando um custo reputacional para quem mantém o modelo. Empresas mais sensíveis à marca empregadora estão se antecipando”, diz Gabriel Buzzi.

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