Em março deste ano, os lucros das empresas industriais da China cresceram em um ritmo mais acelerado em relação aos últimos seis meses. Com os formuladores de políticas se preparando para o aumento de riscos e as consequências da guerra no Oriente Médio, esses lucros são somados a sinais de uma recuperação econômica no primeiro trimestre, mas de forma distinta.
Esses formuladores, por sua vez, possuem um visão de que a competição acirrada dos preços é algo que pode pode apoiar margens corporativas no combate e a este regresso com o passar do tempo. Em meio a uma recuperação irregular, a concretização de benefícios acontece de forma demorada. As informações são do Money Times.
Lucro acelerado
A Kweichow Moutai, fabricante de bebidas premium teve um desempenho moderado, muito por conta da pressão fraca de sua demanda doméstica com os volumes e preços. “Há muitas incertezas no ambiente externo, e a contradição entre uma oferta doméstica forte e uma demanda fraca ainda precisa ser resolvida”, afirma o estatístico do NBS, Yu Weining.
De acordo com dados divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês, nesta segunda-feira (27), os setores de economia ligados à inteligência artificial ainda estão aquecidos. Através de uma demanda grande por eletrônicos que estão relacionados à IA, empresas como a Shannon Semiconductor apresentaram um crescimento de quase 80 vezes no lucro líquido durante esse primeiro trimestre. Dessa forma, os setores que beneficiam os consumidores enfrentam impasses.
Em relação ao mesmo período em 2025, os lucros das empresas industriais subiram pouco mais de 15%, com uma aceleração relativa ao aumento de 15,2% que foi registrado durante o período de janeiro a fevereiro.
Ainda no primeiro trimestre, houve um crescimento de 15,5% dos lucros industriais na comparação anual. O crescimento econômico total teve uma aceleração de 5% após atingir, no último trimestre, uma mínima de três anos. Estes dados de lucros industriais têm relação com empresas que possuem uma receita anual mínima de 20 milhões de yuans (US$ 2,93 milhões), através de suas principais atividades.
Crise no Oriente Médio
Com a guerra no Oriente Médio, os riscos aumentaram e a incerteza em relação as cadeias de suprimentos e uma demanda global teve certo crescimento. Os fabricantes chineses, que já passam por situações com gastos cuidados e pedidos fracos, acabam tendo sua margem ameaçada.
“Daqui para frente, preços mais altos de energia provavelmente se traduzirão em custos de insumos maiores para os produtores, que terão de ser repassados aos consumidores ou absorvidos por meio de margens mais estreitas e menor lucratividade”, relata Lynn Song, economista-chefe do ING para a China.
Produção industrial desacelerada
Song ainda destaca que os riscos da guerra ao crescimento global e doméstico não são refletidos nos dados, enquanto autoridades governamentais tentam diminuir os efeitos. “Os dados provavelmente ainda não refletem o impacto da guerra no Irã”, disse.
No mês passado, ao mesmo tempo que a produção industrial e as vendas por meio do varejo sofreram uma desaceleração, a exportação chinesa também teve um recuo. Uma mudança que analistas deixam as pessoas alertadas é em relação aos preços ao produtos, que podem deixar as empresas, de certa forma, pressionadas com o aumento de seus custos.

