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Economia

Brasileiros recorrem a novas fontes de renda enquanto contas seguem sem fechar, aponta Datafolha

Levantamento mostra aumento na procura por atividades adicionais e indica dificuldade persistente para manter o equilíbrio financeiro

Brasileiros recorrem a novas fontes de renda enquanto contas seguem sem fechar, aponta Datafolha

O aumento das dificuldades para manter as contas em dia tem levado parte significativa da população a buscar alternativas para complementar o orçamento. A tendência aparece associada à percepção de que o dinheiro disponível já não atende às necessidades essenciais.

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Segundo o Datafolha, quase metade dos brasileiros procurou alguma forma de renda extra nos últimos meses. O dado surge em um cenário em que a maioria afirma não conseguir pagar todas as despesas apenas com os ganhos regulares.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios nos dias 08 e 09 de abril. De acordo com o levantamento, 59% dizem que a renda familiar é insuficiente para cobrir gastos, enquanto 36% consideram que o valor recebido apenas dá conta do básico. Uma parcela menor, de 6%, afirma ter recursos acima do necessário.

Busca por renda extra avança no país

A procura por atividades complementares já alcança 45% dos entrevistados. Entre as alternativas citadas estão trabalhos temporários, serviços informais e iniciativas por conta própria, utilizadas como forma de ampliar a entrada de dinheiro.

Entre homens, 48% disseram ter buscado renda adicional. Entre mulheres, o índice é de 41%. Apesar da diferença, o comportamento se espalha entre diferentes perfis e regiões.

O levantamento também indica que pessoas com maior nível de escolaridade aparecem com frequência nessa busca. Isso ocorre porque, em geral, têm mais acesso a oportunidades, ainda que muitas sejam instáveis ou com ganhos limitados.

Baixa renda concentra maior dificuldade

A situação se agrava entre famílias com menor rendimento. Entre quem recebe até dois salários mínimos, 73% relatam não conseguir pagar as despesas. Já entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos, o índice é de 49%. No grupo com ganhos mais altos, acima de cinco salários mínimos, 32% ainda enfrentam dificuldades.

Os números mostram que o problema atinge diferentes faixas de renda, mas pesa mais entre os mais vulneráveis. Nesses casos, a necessidade de buscar novas fontes de ganho se torna mais urgente.

Queda recente nos ganhos afeta orçamento

Outro ponto observado é a redução da renda familiar nos últimos meses. Cerca de 40% dos entrevistados afirmam que tiveram diminuição nos ganhos, o que contribui para o desequilíbrio financeiro.

Entre pessoas de 35 a 44 anos, esse percentual chega a 49%. A faixa concentra trabalhadores em fase ativa, muitas vezes com maior número de despesas fixas, o que amplia o impacto da perda de renda.

Mulheres relatam maior dificuldade para equilibrar finanças

Os dados também apontam diferença na percepção financeira entre homens e mulheres. No total, 41% dos brasileiros classificam a própria situação como ruim ou péssima.

Entre as mulheres, esse índice sobe para 44%, enquanto entre os homens fica em 36%. Elas também aparecem com mais frequência entre quem diz não conseguir pagar despesas básicas.

Além disso, fatores como renda média menor e menor participação no mercado de trabalho contribuem para ampliar a dificuldade. Diferenças salariais, inclusive em cargos de liderança, também influenciam esse cenário.

Outro ponto destacado no levantamento é que elas também aparecem com maior frequência entre as pessoas que relatam estar com contas em atraso ou com o nome negativado. Esse cenário está ligado à combinação de renda menor e maior concentração em faixas salariais mais baixas, o que reduz a margem para lidar com despesas imprevistas. Com isso, dificuldades financeiras tendem a se acumular com mais rapidez, afetando o controle do orçamento no dia a dia.

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