O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) determina nesta quarta-feira (29) o novo resultado para os juros da economia americana, podendo influenciar boa parte dos mercados globais.
A decisão acontece por meio do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). Segundo a Forbes, doze dirigentes se reúnem, discutem e votam sobre a política monetária dos EUA oito vezes por ano, embora haja sete membros sem direito a voto.
Na última reunião, que ocorreu em março, a taxa de juros permaneceu entre 3,5% e 3,75%, como está desde dezembro de 2025. Para essa próxima decisão, vale observar o que foi dito nos encontros passados.
O FOMC elabora um Resumo das Projeções Econômicas (SEP), fornecendo uma estimativa fundamentada do que poderá acontecer com o crescimento econômico, o desemprego e a inflação. Esses são fatores essenciais para determinar os juros da economia. Afinal, o ajuste de juros busca combater a inflação.
Ainda de acordo com a Forbes, em março, o comitê indicou que a o futuro da taxa de juros está incerto. O banco central tem dois mandatos do Congresso : manter o pleno emprego, o que significa conter o desemprego dadas as condições econômicas atuais, e a estabilidade de preços. Para o Fed, manter os preços estáveis significa manter a inflação o mais próximo possível de 2%.
Porém, quando o desemprego aumenta, a reação mais comum do Fed é diminuir as taxas de juros, visando fomentar a atividade empresarial. No entanto, com um cenário de inflação alta — causado principalmente pelo conflito entre EUA e Irã, que resultou em uma crise de combustíveis —, a ordem comum é subir a taxa de juros, para estabilizar os preços.
Políticas e atividades governamentais, como tarifas e a guerra contra o Irã, criaram incertezas, com implicações como o aumento dos preços da energia, o que impulsiona a inflação. Para fins de comparação, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA indicou que essa taxa subiu de 2,4% em fevereiro para 3,3% em março, especialmente devido à gasolina.
Para o ano, a direção está altamente incerta, causando divergências entre os especialistas sobre o que poderia acontecer.
Troca de presidente do Fed
A reunião desta semana também será a última do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, cujo mandato acaba em 15 de maio. Ele vem sendo pressionado pelo governo de Donald Trump a reduzir as taxas de juros há muitos meses.
Recentemente, o Departamento de Justiça arquivou uma investigação sobre o chair do banco central sobre supostos altos gastos na reforma do prédio do Fed.
Com um novo nome no horizonte, o futuro fica ainda mais incerto para os juros, sem saber o que pode acontecer na política interna, se haverá continuação da guerra e se a crise energética se estabilizará.
De acordo com o InfoMoney, ainda há questionamentos se Powell permanecerá na diretoria do Fed e como o novo nome estaria pronto para lidar com a política monetária em um cenário delicado.
O que isso significa para os investidores?
O mercado financeiro está incerto. Um possível aumento dos juros nos EUA traz maior dificuldade para a população conseguir empréstimos, pode aumentar o desemprego e diminuir o poder de compra ao mesmo tempo que a inflação sobe.
Um cenário de juros mais altos pode ainda influenciar uma fuga de investimentos estrangeiros, prejudicando o setor empresarial.
No caso de um corte mais abrupto, com o atual cenário de inflação, o poder de compra dos estadunidenses pode reduzir ainda mais. Para os investidores globais, essa pode ser uma chance de observar o mercado de risco.

