O Brasil alcançou 60,6 milhões de pessoas com aplicações financeiras em 2025, o equivalente a 36% da população, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor, divulgada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O número representa crescimento em relação aos 31% registrados cinco anos antes, embora tenha havido leve recuo em comparação com 2024, quando o percentual chegou a 37%.
Esse avanço ocorreu em paralelo ao aumento da parcela da população que conseguiu economizar dinheiro ao longo do ano, que passou de 27% em 2021 para 33% em 2025.
Ainda assim, apenas 24% afirmaram ter feito algum tipo de investimento no período, o que inclui não apenas aplicações financeiras, mas também compra de bens e negócios.
Crescimento da base de investidores
A ampliação do número de investidores reflete uma mudança gradual no comportamento financeiro dos brasileiros ao longo dos últimos anos.
O estudo aponta que o crescimento da poupança e do investimento ocorreu de forma consistente, impulsionado por maior acesso a produtos financeiros e maior familiaridade com o tema.
Apesar disso, a maioria da população ainda não investe. Cerca de 64% dos brasileiros não possuem aplicações financeiras, sendo que mais da metade desse grupo não guarda dinheiro de nenhuma forma.
Entre os motivos mais citados estão condições financeiras desfavoráveis e a percepção de falta de recursos disponíveis.
Entre aqueles que investem, há dois perfis predominantes, os que concentram recursos na poupança e os que diversificam suas aplicações.
A diversificação, inclusive, vem crescendo ao longo do tempo, com maior presença de títulos privados, fundos e outros ativos nas carteiras.
Reserva financeira e vulnerabilidade
O levantamento também trouxe dados inéditos sobre a capacidade de reserva financeira da população. Um terço dos brasileiros afirmou não possuir nenhum valor guardado para emergências, enquanto entre os que têm algum recurso, 43% disseram que o montante seria suficiente por no máximo seis meses.
Esse dado indica que, mesmo entre quem consegue poupar, a segurança financeira ainda é limitada. A pesquisa mostra que a existência de reserva não garante estabilidade prolongada, especialmente em cenários de perda de renda ou aumento de despesas.
Entre investidores, a situação é mais favorável, apenas 11% declararam não ter reserva. Ainda assim, a duração dos recursos também é restrita para parte significativa desse grupo.
Digitalização e acesso à informação
A forma como os brasileiros se informam e investem também passou por mudanças relevantes. O uso de canais digitais cresceu de maneira expressiva nos últimos anos, tanto para obter informações quanto para realizar aplicações.
Plataformas online passaram a ser utilizadas por 63% dos investidores, enquanto o atendimento presencial em bancos caiu de 43% para 32% no mesmo período.
Entre os canais de informação, redes sociais e plataformas digitais ganharam espaço, com destaque para o YouTube e o Instagram.
Além disso, 9% dos investidores afirmaram utilizar ferramentas de inteligência artificial para buscar informações sobre produtos financeiros.
Esse grupo é composto majoritariamente por jovens e pessoas de maior renda, com tendência a diversificar mais os investimentos.
Educação financeira
Apenas 21% da população afirmou ter participado de algum tipo de curso ou treinamento sobre o tema. Entre investidores, esse percentual sobe para 33%, enquanto entre não investidores cai para 14%.
Os dados indicam que a educação financeira está associada a maior diversificação e participação no mercado.
Entre aqueles que tiveram acesso a esse tipo de conteúdo, 39% possuem carteiras diversificadas, mais que o dobro da média geral.
Mesmo assim, barreiras culturais ainda persistem. Muitos brasileiros associam investimentos a pessoas com alto patrimônio e acreditam não ter recursos suficientes para aplicar.
A percepção de complexidade também aparece como obstáculo, com parte da população considerando necessário ter amplo conhecimento antes de investir.
Fraudes e comportamento financeiro
Outro ponto abordado na pesquisa é o aumento de fraudes financeiras. Cerca de 34% da população afirmou já ter sido vítima de golpes ou tentativas de fraude, percentual que sobe para 42% entre investidores.
O crescimento desse tipo de ocorrência está relacionado ao maior uso de canais digitais e à ampliação do acesso a serviços financeiros.
O levantamento também aponta aumento no número de pessoas que recorrem a apostas online, com 17% da população afirmando ter participado desse tipo de atividade em 2025.
Além disso, entre aqueles que conseguiram economizar, uma parcela relevante optou por não investir. Dados mostram que 19% deixaram o dinheiro parado, sem aplicação, o que reforça a existência de entraves no acesso e na compreensão dos produtos financeiros.
Perspectivas para o comportamento financeiro
As intenções declaradas para os próximos anos indicam continuidade desse movimento gradual. Entre os atuais investidores, a maioria afirma que pretende manter aplicações em 2026.
Já entre os não investidores, uma parcela menor indica intenção de começar a investir. Ao mesmo tempo, há também um grupo que pretende deixar de investir, mantendo o fluxo de entrada e saída dentro do sistema financeiro.
O levantamento também indica que os principais motivos para investir continuam sendo retorno financeiro e segurança, enquanto a escolha por determinados produtos está relacionada à facilidade de acesso e familiaridade com as opções disponíveis.

