A confiança da indústria brasileira em abril apresentou queda de 0,8 ponto, alcançando 96,0 pontos no período. Segundo os dados do Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgados nesta terça-feira (28) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o recuo é o primeiro observado nos últimos cinco meses, resultado influenciado principalmente pelo cenário de incertezas provocado pela guerra no Oriente Médio.
Em março, o Índice de Confiança da Indústria havia apresentado alta de 0,1 ponto. Em comparação com abril de 2025, quando atingiu 97,8 pontos, o indicador recuou 2,2 pontos. Segundo o economista do FGV IBRE, Stéfano Pacini, a queda na confiança da indústria brasileira no período demonstra a sensibilidade do setor a choques no preço do petróleo, fator que gerou um ambiente menos aquecido, com estoques levemente acima da normalidade.
“O sentimento dos empresários quanto ao futuro dos negócios retrata o aumento da incerteza com a guerra no Oriente Médio, sobretudo nos primeiros dias do mês, quando os conflitos estavam mais intensos. A queda da confiança acende um alerta para os próximos resultados”, explica o especialista.
Queda da confiança em 13 segmentos industriais
Dos 19 segmentos industriais pesquisados pela sondagem, 13 apresentaram queda no índice de confiança. Os dados mostram que Índice de Situação Atual (ISA) recuou 0,7 ponto, para 96,5 pontos, enquanto o indicador que calcula o nível de estoques subiu 0,5 ponto, para 105,3 pontos no período. A FGV explica, que quando o índice de estoques alcança patamar acima de 100 pontos, sinaliza que a indústria está operando com estoques excessivos, movimento que preocupa.
Sobre o indicador de situação atual dos negócios, os resultados apontam que o índice apresentou avanço de 0,2 ponto, passando para 95,8 pontos, patamar que representa o seu maior resultado registrado desde julho do ano passado, quando havia atingido 97,2 pontos. Além disso, o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,9 ponto em abril, para 95,5 pontos.
Segundo Pacini, além dos conflitos internacionais, a política monetária restritiva do país também tem reforçado a maior cautela de empresários quanto à indústria, mesmo diante da inflação e do câmbio. “Adicionalmente, a manutenção da política monetária restritiva ratifica o sentimento de cautela dos empresários quanto à conjuntura econômica, apesar de câmbio, inflação e mercado de trabalho se apresentarem como fatores positivos para o setor”, comenta o economista do FGV IBRE.
Melhora nas contratações
Em relação às expectativas da indústria, houve uma melhora no ímpeto de contratações, com o indicador avançando 4,8 ponto, com isso alcançou 97,5 pontos em abril e registrando o seu maior patamar desde junho, quando chegou a 101,6 pontos. No entanto, a percepção sobre a produção prevista apresentou piora em seus índices, ao recuar 4,2 pontos, para 98,6 pontos.
Houve queda também relacionada ao otimismo sobre a evolução dos negócios nos próximos seis meses. O indicador que mede a tendência dos negócios retrocedeu 3,3 pontos, para 90,7 pontos. Na contramão, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (NUCI) apresentou alta de 0,8 ponto percentual em abril, chegando a 83,2%.

