A indústria brasileira praticamente parou em 2025, com um avanço foi de apenas 0,1% no período, sinalizando estagnação. O resultado indica o pior nível da atividade desse setor desde 2022, além de fazer o Brasil cair 40 posições no ranking global.
Segundo a Veja, com base em dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, feito com informações da agência da ONU para o setor industrial, o Brasil ocupava a 24ª colocação em 2024. Agora, está em 44º lugar.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por sua vez, registrou queda de 0,2% na produção industrial no período, após alta no ano anterior.
Por que a atividade industrial caiu?
O Brasil perdeu a competitividade na atividade industrial em relação a outros países, que mostraram um desempenho positivo em geral durante o ano passado. Mas por que isso aconteceu?
O ambiente econômico interno aparece como um dos principais entraves para o desempenho do setor, além dos diversos outros fatores que podem ter influenciado essa queda expressiva.
Em geral, o resultado aconteceu em meio ao temor das altas taxas de juros. A taxa básica de juros se manteve elevada durante o período, com a Selic próxima de 14,75% e picos recentes de 15%. Apesar do Banco Central (BC) prever um ciclo de queda para 2026, as incertezas em relação à economia dos Estados Unidos e outras tensões geopolíticas prejudicam essa projeção.
Com esse cenário de juros altos, surge uma dificuldade do acesso ao crédito e encarecimento financiamentos. Isso influencia as empresas a adiar projetos de expansão e investimentos em tecnologia, o que reduz a capacidade de crescimento da indústria.
O consumo também piora nessa situação. Funciona assim: com menor demanda, a produção perde força, criando um ciclo de desaceleração que afeta diretamente os resultados do setor.
Dessa forma, o que ajuda a explicar por que o país não conseguiu acompanhar o avanço de outras economias é justamente a combinação de maior dificuldade de acesso ao crédito e cautela empresarial com um cenário instável e particularmente imprevisível.
Países que se beneficiaram no setor
Ao contrário do Brasil, países como Angola, Togo, Vietnã, China e Japão, por exemplo, apresentaram desempenhos melhores e positivos, superando a produção industrial nacional no ranking. Efeitos como um aumento da produtividade e incentivos à indústria dessas nações auxiliaram o movimento.
A média global da indústria, por exemplo, atingiu 3,9% em 2025, superando o desempenho do ano anterior.
O avanço desses países ampliou a distância em relação ao Brasil, que não conseguiu acompanhar o ritmo. Apesar disso, o país permanece à frente de Alemanha, México e África do Sul.
O que pode afetar a indústria em 2026?
Para 2026, representantes da indústria acompanham com atenção os próximos movimentos da política econômica e do cenário internacional.
Elementos como a nova política monetária dos EUA, guerra entre EUA e Irã, crise do petróleo e cenário econômico do Brasil, bem como o câmbio, podem influenciar diretamente o desempenho do setor nos próximos meses.
Em especial, a demanda também deve impactar os segmentos mais dependentes de exportações e crédito, além do ritmo da atividade interna.

