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Justiça

Setor de Bets aguarda o Supremo

Proibição de apostas preditivas pelo governo Lula devolve atenção a casos em tramitação no STF

Setor de Bets aguarda o Supremo

Enquanto projeta o aumento de fusões e aquisições no Brasil nos próximos meses, o setor de apostas aguarda as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da Lei das Bets (Lei 14.790/2023).

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O tema é discutido nas Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7721, apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e na ADI 7723, apresentada pelo Solidariedade. Ambos alegam que a jogatina afeta negativamente a renda das famílias e a Economia.

As entidades argumentam que as apostas têm canibalizado do consumo, drenando o dinheiro que era gasto com supermercados e vestuário, por exemplo. Esse comportamento leva o apostador médio — normalmente jovem de baixa renda — a pagar juros para fechar as contas do mês ou ser negativado.

Estudos mostram ainda que grande parte dos apostadores têm dívidas prévias e que apostar os recursos que deveriam servir para o sustento resulta em novos débitos. Estimativas indicam que os brasileiros movimentam até R$ 30 bilhões mensais com apostas e que, em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família gastaram cerca de R$ 3 bilhões com bets.

O caminho no STF

Três ministros do STF já criticaram as bets ou limitaram a atividade de empresas do setor (Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Nenhuma das ações ainda tem data para ser analisada definitivamente em plenário. Há, inclusive, entidades ainda tentando se habilitar no processo para opinar sobre o tema que é discutido no STF desde novembro de 2024, quando uma audiência pública foi feita a pedido do ministro Luiz Fux, relator de uma das ADIs.

O encontro, organizado para discutir os efeitos das apostas no Brasil, terminou com especialistas e autoridades destacando o impacto das apostas online na saúde mental e nas finanças da população. Segundo Fux, os debates sinalizaram uma falta de regulação adequada até o momento.

Além da audiência pública, o ministro proibiu que a publicidade relacionada a apostas seja direcionada a crianças e adolescentes e bloqueou o uso de recursos de programas sociais, como o Bolsa Família, em sites de apostas.

A questão da regulação destacada por Fux também impacta os estados. Tanto que André Mendonça suspendeu as regras que permitiam à Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) aceitar apostas de fora do território fluminense.

A decisão de Mendonça foi mantida pelo STF para evitar conflitos de competência com a União. Por outro lado, o tribunal suspendeu normas que proibiam grupos econômicos de explorar loterias em mais de um estado.

Esse cenário mostra um caminho complicado para o setor de bets no STF. Além de dois ministros diferentes restringindo a atuação do setor, houve um troca de ideias entre Fux e Dino durante o julgamento do mínimo existencial para superendividados.

Dino afirmou na sessão que o STF deve se dedicar mais sobre o tema do superendividamento, inclusive causado por “patologias” e “vícios”, como o do “jogo abusivo”. Fux complementou destacando que “as pessoas gastam o dinheiro do consumo e do mínimo existencial em bets”.

Luiz Fux disse ainda que o potencial dessas plataformas na arrecadação gera tensões institucionais e que sua decisão que proibiu o uso do Bolsa Família em apostas sofreu resistência e motivou críticas disfarçadas com argumento de medida discriminatória.

Resistência institucional

O presidente Lula afirmou que a proposta garante melhor qualidade de vida para os trabalhadores do país (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Governo Lula teme impacto das bets na Economia e no humor do eleitorado (Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Se há resistência às bets no STF, no governo Lula não é diferente. O petista tem criticado bastante as apostas, inclusive já defendendo retomar a proibição caso a regulação não produza os efeitos esperados.

Os ataques do governo são motivados, principalmente, pelos efeitos que os problemas trazidos pelas bets podem ter no eleitorado e nos cofres públicos. A ofensiva inclui o endurecimento das regras e a elevação de impostos, pois empresas de aposta são um dos principais motivos para a inadimplência e o mercado ilegal movimenta até R$ 40 bilhões anuais.

Nesta semana, o Conselho Monetário Nacional (CMN) restringiu apostas sobre eventos preditivos — que são palpites sobre resultados de eleições e reality shows, por exemplo. No último dia 6, o governo publicou uma medida provisória (MP) que aumentou impostos do setor para financiar a Polícia Federal (PF).