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Justiça

Uso da IA no Judiciário está se tornando cada vez mais essencial, segundo IAJus 2026

Especialistas entendem que essa ferramenta será importante para garantir a sobrevivência do sistema de Justiça do Brasil

Uso da IA no Judiciário está se tornando cada vez mais essencial, segundo IAJus 2026

A inteligência artificial (IA) vem se tornando cada vez mais indispensável para melhorar a produtividade de diversas áreas do mercado de trabalho. Agora, especialistas entendem que essa ferramenta será essencial para garantir a sobrevivência do sistema de Justiça do Brasil.

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Essa foi a percepção de especialistas, magistrados e advogados durante o IAJus 2026 (Encontro de Integração em Inteligência Artificial do Judiciário), que aconteceu na última sexta-feira (24), promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, em Brasília. As informações são do Consultor Jurídico.

Na discussão sobre a implementação de ferramentas tecnológicas para os tribunais brasileiros, parte dos presentes defendeu que a IA é praticamente a única possibilidade de acelerar a análise mais de 80 milhões de processo em tramitação.

Para o desembargador Luís Octávio Saboia Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por exemplo, os apenas 18 mil juízes em atuação no Brasil são poucos para lidar com o alto volume de processos. Dessa forma, a tecnologia representa a “sobrevivência do sistema judicial”.

Os magistrados reiteraram que a automação será interessante para agilizar os casos, visto que milhares são enviados diariamente.

Usos recentes da IA em alguns gabinetes demonstraram que uma equipe de juízes auxiliares conseguiu reduzir o acervo de sua sessão em mais de 25% em apenas seis meses. A proposta é reduzir o tempo “morto” de tramitação e entregar as respostas em um prazo razoável.

Riscos e preocupações do uso da IA

Ainda que a IA seja considerada para identificar repetições nos milhões de processos e permitir a replicação de decisões padronizadas, um dos objetivos é deixar a mente humana para casos mais complexos.

Esse ponto também é altamente questionado pelos especialistas da categoria, em relação ao algoritmo resolver questões judiciais sem qualquer análise humana sobre o processo. Isso poderia gerar ressalvas estruturais.

Para os participantes do evento, ainda segundo o Consultor Jurídico, é necessário discutir sobre os limites éticos da tecnologia e os riscos de uma dependência excessiva das máquinas. O consenso foi de que a decisão final deveria seguir sob a responsabilidade de um ser humano.

Além disso, como as ferramentas de inteligência artificial adaptam as respostas para tentar satisfazer o usuário, há certo risco dos textos de decisões gerados serem irreais, o que inviabilizaria o uso sem uma rigorosa supervisão humana.

Em entrevista para O Brasilianista, o advogado José María Pérez Broncano, a IA generativa faz com que o valor da advocacia passe a ser contabilizado a partir da necessidade do cliente. Uma de suas constantes preocupações está relacionada ao fato de que o uso da IA não apenas afetaria a gestão do trabalho, mas principalmente no uso de fontes de dados confiáveis para automatizar tarefas repetitivas.

Para ele, uma boa solução seria regulamentar um caminho mais ético que garanta que a inteligência artificial sirva à humanidade, sempre pautada por valores fundamentais como a justiça, a verdade e a dignidade humana. Dessa forma, seria possível manter sob controle os processos e a IA.

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