A confiança do comércio voltou a subir em abril, interrompendo uma sequência de dois meses de queda, mas ainda em um nível considerado baixo. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela Fundação Getúlio Vargas, avançou 1,6 ponto no mês, alcançando 86,2 pontos.
Apesar da melhora, o indicador segue distante do patamar considerado neutro, de 100 pontos, o que indica que o setor ainda opera com uma percepção de pessimismo. Segundo a FGV, o avanço reflete uma recuperação pontual após perdas registradas em fevereiro e março, quando o índice havia recuado diante da piora nas expectativas e na demanda.
Recuperação vem das expectativas
A alta da confiança em abril foi puxada principalmente pela melhora nas expectativas dos empresários do comércio em relação aos próximos meses. Esse componente vinha sendo o principal fator de deterioração nos meses anteriores e agora mostra sinais de recomposição.
Nos primeiros meses do ano, o setor foi impactado por um ambiente econômico mais restritivo, com juros elevados e alto nível de endividamento das famílias, fatores que limitaram o consumo e afetaram as projeções de vendas.
Com a leve melhora das perspectivas, empresários passaram a sinalizar maior otimismo em relação à evolução dos negócios, embora ainda de forma cautelosa.
Situação atual ainda preocupa
Apesar da recuperação nas expectativas, a avaliação sobre a situação atual dos negócios segue fragilizada. Indicadores relacionados à demanda e ao nível de atividade continuam em patamares baixos, refletindo um consumo ainda enfraquecido.
A própria FGV destaca que o comércio encerrou o primeiro trimestre de 2026 em um ambiente desafiador, marcado por crédito caro e comprometimento elevado da renda das famílias.
Esse cenário ajuda a explicar por que a recuperação da confiança ainda é considerada parcial e depende de uma melhora mais consistente da economia.
Juros, inflação e endividamento seguem no radar
A recente aceleração da inflação medida pelo IGP-M, que registrou a maior alta mensal em anos, reforça a pressão sobre custos ao longo da cadeia produtiva e tende a encarecer produtos e serviços, afetando diretamente o poder de compra das famílias, segundo o O Brasilianista.
Ao mesmo tempo, o nível de endividamento segue elevado no país. Dados do Banco Central mostram que o indicador atingiu 49,9% da renda das famílias, o maior patamar da série histórica, enquanto o comprometimento da renda com dívidas se aproxima de um terço do orçamento doméstico.
Esse cenário reflete o impacto prolongado de juros altos e crédito mais caro, que dificultam tanto o consumo quanto a reorganização financeira.
Na prática, a combinação de inflação pressionada e endividamento elevado limita a capacidade de recuperação do comércio. Com mais renda comprometida com dívidas e custos mais altos no dia a dia, o consumidor tende a reduzir gastos, o que ajuda a explicar a recuperação ainda tímida da confiança do setor.
Indicador antecipa tendência da economia
O Índice de Confiança do Comércio é considerado um termômetro importante da atividade econômica, pois capta tanto a percepção atual dos empresários quanto suas expectativas para o futuro.
Segundo a FGV, esses indicadores ajudam a antecipar movimentos de curto prazo da economia, já que refletem decisões relacionadas a investimento, contratação e nível de estoques.
Nesse sentido, a alta registrada em abril pode indicar uma tentativa de estabilização após o início de ano mais fraco, mas ainda sem sinal claro de recuperação consistente.

