O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, acelerando de forma expressiva em relação ao avanço de 0,52% observado em março, segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas.
O resultado superou as expectativas do mercado financeiro e marcou a maior alta mensal do indicador desde maio de 2021, quando o índice registrou 4,10%.
Com o desempenho, o índice acumula alta de 2,93% no ano e avanço de 0,61% em 12 meses, após um período recente de variações mais moderadas. Segundo a própria FGV, o movimento de abril reflete principalmente o aumento nos preços ao produtor, especialmente de matérias-primas.
Pressão vem do atacado e das matérias-primas
O principal fator por trás da alta do IGP-M foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa cerca de 60% do indicador e avançou 3,49% no mês. A forte aceleração foi puxada pelo aumento de 5,78% nos preços das matérias-primas brutas, indicando pressão relevante na base da cadeia produtiva.
Esse movimento sinaliza que os custos mais elevados no atacado podem continuar sendo repassados ao consumidor nos próximos meses, influenciando outros índices de inflação.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, também acelerou, passando de 0,30% em março para 0,94% em abril. Entre os grupos que mais contribuíram para a alta estão transportes (2,26%), alimentação (1,15%) e saúde (0,95%).
Construção civil também ganha força
Outro componente do índice, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), apresentou alta no período, refletindo em aumento de custos em materiais (1,40%), serviços (0,97%) e mão de obra (0,61%).
Embora tenha menor peso na composição do IGP-M, o avanço do INCC reforça o cenário de pressão inflacionária mais generalizada, atingindo diferentes setores da economia.
Alta supera projeções
O resultado de abril também ficou acima das estimativas de analistas. Segundo a Isto É Dinheiro, um levantamento feito pela agência Reuters tinha a expectativa de alta de cerca de 2,53%, abaixo do número registrado.
De acordo com análises de mercado, a aceleração do índice está ligada, em parte, ao cenário internacional, especialmente em meio a tensões geopolíticas recentes, como conflitos no Oriente Médio.
Esse contexto tem elevado custos de insumos importantes, como energia e matérias-primas, pressionando os preços no atacado e, consequentemente, os índices de inflação.
Impacto em contratos e aluguel
O IGP-M é utilizado como referência para reajustes de contratos, especialmente de aluguel, além de tarifas públicas e serviços. Por isso, a alta registrada em abril tende a ter impacto direto no bolso de consumidores e empresas.
Como o índice reflete diferentes etapas da economia, da produção ao consumo, ele costuma ser visto como um indicador antecedente da inflação repassada ao consumidor.
O que esperar daqui para frente?
Apesar de o índice não ser o principal indicador usado para decisões de juros, papel que é ocupado pelo IPCA, a alta do IGP-M reforça o cenário de cautela, especialmente diante de pressões vindas do mercado internacional.
Para os próximos meses, analistas devem acompanhar se o choque observado em abril será pontual ou se indica uma tendência mais persistente de alta nos preços, com possíveis impactos sobre inflação, juros e atividade econômica.

