Após um dia do anúncio de Abu Dhabi sobre a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com efeitos a partir de 1º de maio, autoridade dos Emirados Árabes Unidos afirmou que as contribuições do país em organizações multilaterais estão sendo reavaliadas. No entanto, o representante do governo emiradense reiterou que, por enquanto, não há previsão de novas retiradas de alianças.
À Reuters, o funcionário, que preferiu manter o anonimado, informou que está em análise a funcionalidade dos Emirados Árabes Unidos de forma geral em blocos e organismos internacionais, fator que pode ter influenciado na saída de uma das maiores produtoras de petróleo da OPEP.
Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, havia informações de que o país adotaria novas medidas relacionadas a organismos multilaterais influenciadas por revisões na política de produção e da capacidade econômica da nação do Golfo.
Divisão com a Arábia Saudita
Apesar dos motivos concretos da saída do país do bloco não terem sido comunicados, o cenário de afastamento das relações internacionais surge em meio à instabilidade regional, motivada principalmente pelo Estreito de Ormuz, fator que pode ter colocado em risco a economia local. Com isso, a avaliação é que a saída evidencia a divisão entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, nação líder da OPEP.
Conforme aponta a Reuters, desde o início do conflito no Oriente Médio, aliados de Abu Dhabi e Riade tiveram rivalidades relacionadas à política petrolífera e à geopolítica regional. As críticas passaram a atingir também a corrida por talentos e capital estrangeiros, chegando até o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
“É verdade que, em termos logísticos, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) se apoiaram mutuamente, mas, política e militarmente, creio que sua posição foi a mais frágil da história”, afirmou o alto funcionário dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, durante recente conferência no país.
Efeitos sobre as relações comerciais
O aumento da rivalidade e da saída aliança de produtores de petróleo pode também resultar em efeitos sobre as relações comerciais entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, considerados dois dos maiores parceiros econômicos da região árabe. Acontece que os países interligados em termos de comércio, investimento e logística, e uma conflito de relação pode impactar nos negócios da região.
Segundo o Ministério da Economia dos Emirados Árabes Unidos, em 2024, o valor do comércio bilateral, sem contar com o petróleo, entre os dois países do Oriente Médio alcançou US$ 41,3 bilhões, o que representou um aumento em comparação ao montante de US$ 37,3 bilhões registrado em 2023. Diante disso, uma ruptura econômica completa, que é considerada improvável neste momento, não seria interessante para ambos.
OPEP no mercado global
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é reconhecida como um dos principais grupos ligados à atuação do setor petrolífero, tendo poder para interferir nos preços internacionais e na produção da matéria-prima. Segundo informações do O Brasilianista, a organização multilateral atua também como mediadora no que diz respeito aos interesses de produtores e consumidores.
Fazem parte do grupo 12 nações: Arábia Saudita; Irã; Iraque; Kuwait; Argélia; Congo; Gabão; Guiné Equatorial; Líbia; Nigéria; Venezuela; e Emirados Árabes Unidos, até 1º de maio.

