A mídia estatal iraniana divulgou um vídeo produzido com inteligência artificial que ironiza o ataque ocorrido durante um jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o episódio teria sido encenado.
Como mostrou O Brasilianista, a montagem recria a cena do evento com elementos fictícios, como personagens rindo após os disparos, em uma representação que não corresponde aos fatos registrados no episódio real.
O vídeo apresenta uma sequência em que o atirador dispara para o alto e, em seguida, tanto Trump quanto os agentes de segurança reagem com tranquilidade, o que não aconteceu na situação real.
The Trump Man Show! pic.twitter.com/EcILqgOGgl
— Iran Military Media ☫ (@IRMilitaryMedia) April 28, 2026
Produção digital usada como ferramenta política
O conteúdo divulgado pelo Irã integra uma série de produções que utilizam inteligência artificial para influenciar percepções sobre conflitos, conforme detalha reportagem do O Brasilianista.
Governos e lideranças políticas têm adotado esse tipo de ferramenta para construir versões alternativas de acontecimentos e ampliar o alcance de mensagens em escala global.
Essas produções incluem vídeos satíricos, montagens simbólicas e conteúdos que reinterpretam eventos reais com elementos fictícios, permitindo novas leituras dos fatos.
Ampliação do uso em diferentes países
O uso de inteligência artificial em campanhas e disputas políticas não se restringe ao Oriente Médio, líderes em diferentes países têm utilizado a tecnologia tanto para reforçar posicionamentos quanto para responder a críticas por meio de conteúdos manipulados digitalmente.
Esse movimento ocorre em contextos variados, incluindo eleições, disputas institucionais e conflitos internacionais, com circulação ampla nas redes sociais.
Exemplos recentes com figuras públicas
Produções semelhantes ao vídeo iraniano já foram registradas em diferentes contextos políticos. A publicação menciona conteúdos envolvendo Donald Trump em cenários fictícios, além de montagens em que líderes aparecem em situações simbólicas ou imaginárias.
Também há registros de vídeos com inteligência artificial em países como Coreia do Sul e Índia, utilizados para construir narrativas políticas ou reagir a críticas públicas.
Influência sobre a percepção dos fatos
Especialista aponta que a principal preocupação com o uso de inteligência artificial na política está na capacidade de influenciar a opinião pública.
Segundo o especialista em tecnologia Tiago Morelli, fundador da Go Enablers e Zaia, a aplicação da ferramenta pode ter diferentes efeitos dependendo da estratégia adotada. “Pode gerar credibilidade através de um agente de IA que tira dúvidas do eleitor sobre o plano do político, ou mesmo economizando drasticamente o custo audiovisual das campanhas”, afirmou.
Ele também alertou para os riscos associados ao uso indevido da tecnologia: “E se mal utilizada, pode amplificar a desinformação, que infelizmente serve de estratégia de campanha para muitos, em uma escala que a gente ainda não viu”.
Disseminação de conteúdos manipulados
O avanço dessas tecnologias também levanta alertas sobre o potencial de disseminação de informações falsas.
A capacidade de gerar vídeos e imagens com aparência realista aumenta a dificuldade de diferenciar conteúdos verdadeiros de montagens.
Outro aspecto destacado é a possibilidade de personalizar conteúdos para diferentes perfis de público, ampliando o alcance das mensagens políticas.
A tecnologia permite criar versões adaptadas de um mesmo conteúdo, direcionadas a grupos específicos, com linguagem e abordagem ajustadas a cada audiência.
Esse tipo de prática já foi observado em campanhas políticas e tende a se expandir com o desenvolvimento das ferramentas digitais.
Regras para uso em campanhas eleitorais
Diante do crescimento do uso de inteligência artificial na política, autoridades têm buscado estabelecer regras para limitar abusos.
No Brasil, medidas recentes definem a obrigatoriedade de identificação de conteúdos manipulados e proíbem simulações enganosas envolvendo candidatos.
As normas também estabelecem limites para o uso de tecnologia em períodos próximos às eleições, com o objetivo de garantir maior transparência no processo.

