A realização de megashows gratuitos na Praia de Copacabana tem se consolidado como uma estratégia econômica relevante para o Rio de Janeiro, e o show da cantora Shakira surge como mais um exemplo desse modelo.
Com estimativa de movimentar cerca de R$ 800 milhões, o evento do dia 2 de maio reforça o papel do entretenimento como ferramenta de geração de receita, atração de turistas e fortalecimento da imagem internacional da cidade.
A análise é da especialista em experiência do cliente Bethel Lombardi, que aponta que esse tipo de evento já segue um padrão econômico previsível, com impactos diretos em diferentes setores.
Cadeia econômica ativada por grandes eventos
Segundo Bethel Lombardi, o impacto financeiro de um show dessa magnitude não se resume a um número isolado, mas envolve uma cadeia ampla de atividades.
Ela afirma que “esse valor não é abstrato, ele vem de uma cadeia econômica muito concreta, sendo: hotelaria operando com ocupação máxima, aumento expressivo em passagens aéreas, explosão de consumo em bares, restaurantes e ambulantes e crescimento na mobilidade urbana e serviços de transporte”.
Esse movimento ocorre antes, durante e após o evento, ampliando a circulação de dinheiro em setores estratégicos da economia local.
De acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o cálculo do impacto considera gastos com hospedagem, alimentação e transporte, além do consumo médio diário de turistas e moradores.
Comparação com eventos anteriores
Segundo dados da Prefeitura do Rio, o show da Lady Gaga em 2025 reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas e movimentou mais de R$ 600 milhões na economia da cidade, com a chegada de mais de 500 mil turistas em poucos dias.
Esse parâmetro serve como base para as projeções atuais, indicando que eventos de grande porte tendem a repetir, ou até ampliar, o impacto financeiro observado anteriormente.
Bethel Lombardi avalia que o caso de Shakira segue essa lógica consolidada, com baixo risco e retorno previsível dentro do planejamento econômico urbano.
Escala de público amplia arrecadação
A expectativa de público é um dos principais fatores que influenciam o impacto econômico. Segundo Bethel Lombardi, “esse número não cresce de forma linear, ele multiplica impacto: mais público, mais turistas, maior permanência média na cidade”.
O aumento no fluxo de visitantes eleva diretamente o consumo em hotéis, restaurantes e comércio, além de impulsionar serviços como transporte e entretenimento.
A estimativa é de cerca de 2 milhões de pessoas no evento, com presença de turistas nacionais e internacionais, o que amplia o volume total de gastos na cidade.
Visibilidade internacional
Além da arrecadação direta, os megashows também geram retorno indireto por meio da exposição global.
Bethel Lombardi destaca que “não é só arrecadação direta, é branding de cidade, pois posiciona o Rio como ‘capital global de experiências abertas’, gera mídia internacional gratuita e fortalece o desejo turístico futuro”.
Esse efeito é reforçado por dados da Prefeitura do Rio, que apontam expectativa de cerca de US$ 250 milhões em mídia espontânea internacional com o evento.
A exposição global contribui para aumentar o interesse turístico ao longo do ano, ampliando os efeitos econômicos para além do período do show.
Modelo econômico consolidado
Segundo Bethel Lombardi, “isso não é mais um simples ‘evento’. É um modelo de negócio urbano”, baseado na atração de grandes artistas para impulsionar a economia local.
Ela afirma que o Rio passou a utilizar o entretenimento como política pública de desenvolvimento, criando um formato replicável com potencial de crescimento contínuo.
O projeto “Todo Mundo no Rio” já está previsto no calendário oficial até pelo menos 2028, consolidando a estratégia de longo prazo.
Impacto em arrecadação e empregos
A realização de megashows contribuiu para um crescimento de 23,2% na arrecadação de impostos sobre serviços em maio de 2025, em comparação com 2023.
Esse aumento está relacionado à maior movimentação em setores como turismo, eventos e transporte, além da geração de empregos temporários e expansão de atividades comerciais.
A tendência é que o evento com Shakira amplie esse cenário, com maior circulação financeira e impacto direto em diferentes áreas da economia local.

