Senadores da base do governo e da direita não ligada ao bolsonarismo têm conversado reservadamente sobre o tempo que ainda resta à força que Davi Alcolumbre tem no Senado. Os parlamentares afirmam que o modelo de fazer política do presidente da Casa tem deixado muitas mágoas ao longo do caminho.
Esses senadores classificam a estratégia política de Alcolumbre como “paroquial”, por focar em acertos regionais, visando a manutenção da base de prefeitos que garante a eleição dele e de aliados no Senado — Davi Alcolumbre é conhecido por esmagar seus adversários políticos no Amapá (AP).
Alcolumbre foi eleito em 2014 para o Senado com um discurso voltado aos municípios e, principalmente, aos vereadores e prefeitos, que são importantes cabos eleitorais durante as eleições para presidente da República, senador, deputado federal, governador e deputado estadual.
Também pesa contra Alcolumbre, de acordo com senadores, a tentativa em manter-se necessário ao governo, à oposição e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os parlamentares afirmam que o presidente do Senado, em dado momento, será derrubado pela própria vontade de navegar em várias canoas.
A vontade de Alcolumbre em ser necessário a todos pôde ser vista em diversos movimentos. A rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF foi um aceno do senador ao bolsonarismo, que pode ter maioria no Senado a partir de 2027.
Nesse cenário, aumentariam as chances de Rogério Marinho, que integrou o governo Jair Bolsonaro, ter uma candidatura forte à presidência do Senado. Sem estar na presidência, Alcolumbre perde muito poder, tanto que emplacou Rodrigo Pacheco em seu lugar quando foi impedido de disputar a chefia da Casa pelo STF, no fim de 2020.
Alcolumbre acena ao STF sempre que impede a abertura de um processo de impeachment contra um ministro da Corte. O senador precisa ter boa relação com o Tribunal pois não faltam ações penais envolvendo seus aliados, e também porque virou rotina projetos de lei aprovados pelo Congresso serem rediscutidos no Supremo.
Com o governo Lula, a relação de Alcolumbre é a mais delicada de todas, pois é do Executivo que sai o dinheiro público usado para pagar as emendas parlamentares que garantem o apoio ao amapaense dentro do Senado.
O último aceno de Alcolumbre ao governo foi em dezembro do ano passado, quando o senador elogiou a atenção que Lula dá à Região Norte do Brasil. Desde então, o Executivo e a presidência do Senado conversam apenas o essencial.
A única ponte funcional com Alcolumbre era mantida por Jaques Wagner. Mas a insistência de Lula em emplacar Jorge Messias no STF, apesar de Davi Alcolumbre preferir Rodrigo Pacheco, implodiu de vez a via sem chance de retomada viável no curto prazo.

