Os afastamentos por burnout no Brasil saltaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pelo G1.
A pesquisa representa uma alta de cerca de 823% em quatro anos. O aumento ocorre em paralelo à concessão de mais de meio milhão de licenças por transtornos mentais no último ano, ampliando o impacto direto sobre custos operacionais, produtividade e gestão de pessoas nas empresas.
Crescimento dos afastamentos amplia custo e afeta operação
O avanço dos casos de burnout tem reflexo direto no funcionamento das empresas, já que afastamentos prolongados exigem substituições, redistribuição de tarefas e, em alguns casos, novas contratações. Esse movimento pode gerar aumento de custos trabalhistas e perda de eficiência produtiva.
Além disso, o crescimento das denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho, que passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, indica maior exposição das empresas a processos e fiscalizações.
Outro ponto relevante é que o aumento dos registros não está apenas ligado ao crescimento dos casos, mas também à maior formalização das ocorrências.
Com mais trabalhadores buscando diagnóstico e afastamento, o impacto passa a ser mais visível nas estatísticas e nos indicadores internos das empresas.
Burnout passa a ser tratado como risco ocupacional
De acordo com a Medicina e Segurança Ocupacional (CLIMEC), o burnout deixou de ser visto apenas como uma questão individual e passou a integrar o conjunto de riscos ocupacionais que devem ser monitorados pelas empresas.
A inclusão dos fatores psicossociais na gestão de segurança do trabalho amplia a responsabilidade corporativa sobre o tema.
Elementos como metas excessivas, jornadas prolongadas e ambiente organizacional inadequado passam a ser considerados fatores de risco que precisam ser identificados e controlados. A ausência de medidas pode resultar em sanções administrativas e aumento da judicialização.
A entidade também aponta que o reconhecimento do burnout como fenômeno ligado ao trabalho reforça a possibilidade de responsabilização das empresas quando houver relação entre o ambiente corporativo e o adoecimento dos funcionários.
Ambiente de trabalho influencia diretamente os indicadores
Especialistas apontam que o aumento dos afastamentos está ligado à combinação de fatores como pressão por resultados, instabilidade no emprego e intensificação do ritmo de trabalho. Esses elementos impactam diretamente o desempenho e a permanência dos trabalhadores nas empresas.
A chamada “jornada expandida”, em que profissionais permanecem conectados fora do expediente por meio de mensagens e plataformas digitais, também aparece como fator relevante. Esse padrão reduz o tempo de recuperação e contribui para o esgotamento ao longo do tempo.
Além disso, o crescimento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias equivalentes nas condições de trabalho, o que mantém níveis elevados de estresse em diferentes setores da economia.
Nova regra amplia fiscalização sobre empresas
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) deve entrar em vigor em maio de 2026 e incluirá a obrigatoriedade de monitoramento de riscos psicossociais.
A norma permitirá que auditores identifiquem problemas relacionados à saúde mental e apliquem penalidades quando necessário.
Entre os pontos que poderão ser avaliados estão metas abusivas, excesso de jornada, falta de suporte organizacional e situações de assédio moral. Esses fatores passam a ter peso semelhante a riscos físicos já tradicionalmente fiscalizados.
O adiamento da norma, inicialmente previsto para 2025, ocorreu após pressão de entidades empresariais, mas o governo sinalizou que não pretende uma nova prorrogação. Isso indica que empresas terão um prazo limitado para adaptação às novas exigências.
Sintomas ajudam a identificar riscos internos
Segundo o Ministério da Saúde, o burnout é caracterizado por exaustão extrema, estresse contínuo e esgotamento físico e mental relacionados ao trabalho. A principal causa está associada a ambientes com alta pressão e responsabilidade constante.
Entre os sinais mais comuns estão queda de desempenho, dificuldade de concentração, alterações de humor e cansaço persistente.
Esses sintomas podem afetar diretamente a produtividade e a qualidade das entregas dentro das empresas.
O órgão também destaca que o diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamento dos quadros, o que reforça a importância de mecanismos internos de monitoramento e suporte aos trabalhadores.

