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Economia

Posso ter funcionário sendo MEI?

Modelo simplificado permite vínculo formal, mas impõe restrições que impactam pequenos negócios

Posso ter funcionário sendo MEI?

A possibilidade de contratar um funcionário sendo Microempreendedor Individual (MEI) ainda gera dúvidas entre pequenos empresários e trabalhadores informais.

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Embora o modelo tenha sido criado para simplificar a formalização, ele não elimina obrigações trabalhistas e impõe limites claros. Entender essas regras é essencial para evitar problemas legais e custos inesperados.

Regras básicas

Bruna Alves do Carmo, graduada em Ciências Contábeis e especialista em planejamento financeiro, afirma que a contratação é permitida, mas com restrições.

“Pode, o MEI pode ter apenas 1 funcionário, com remuneração de salário mínimo ou piso da categoria, com jornada de no máximo 44 horas semanais”, explica.

Ela destaca que o vínculo precisa seguir as normas da legislação trabalhista. “Deve ter Carteira de Trabalho assinada e registro obrigatório no eSocial”, afirma.

Limite de contratação

Segundo o Governo Federal, o MEI só pode manter um empregado ativo ao mesmo tempo. Essa limitação foi criada para manter o caráter simplificado do regime e evitar que empresas maiores utilizem o modelo de forma indevida.

O trabalhador contratado deve receber, no máximo, um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. Esse ponto define o perfil de negócios que podem operar dentro do regime.

Custos envolvidos

O custo inclui contribuição previdenciária e depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Esses encargos somam cerca de 11% sobre o valor do salário.

Esse percentual envolve 3% de INSS pago pelo empregador e 8% referentes ao FGTS, o que impacta diretamente o planejamento financeiro do negócio.

Obrigações legais

A formalização do vínculo exige o cumprimento de etapas específicas. De acordo com o Governo Federal, o MEI precisa registrar o funcionário no sistema eSocial, além de realizar o recolhimento mensal dos encargos.

Também é necessário entregar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), respeitando prazos definidos pela legislação.

Essas exigências mostram que, mesmo sendo um regime simplificado, o MEI assume responsabilidades semelhantes às de empresas maiores no momento da contratação.

Impactos para o empreendedor

Bruna avalia que a possibilidade de contratar pode impulsionar pequenos negócios, mas exige cautela no cumprimento das regras.

A contratação permite ampliar a capacidade operacional da empresa, especialmente em atividades que demandam mão de obra constante. No entanto, o limite de apenas um funcionário pode restringir o crescimento.

Esse modelo foi desenhado para atender empreendedores individuais, evitando que o regime seja utilizado como substituto de estruturas empresariais mais complexas.

Situação do trabalhador

Do ponto de vista do empregado, a contratação pelo MEI garante direitos trabalhistas básicos, como FGTS e contribuição previdenciária. Isso amplia a proteção social em comparação com relações informais.

O vínculo formal assegura acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e outros direitos previstos no sistema previdenciário.

Essa formalização também reduz riscos jurídicos para o empregador, já que evita passivos trabalhistas decorrentes de vínculos irregulares.

Possíveis riscos

Apesar das vantagens, especialistas alertam para erros comuns. Um deles é contratar mais de um funcionário, o que descaracteriza o regime e pode gerar penalidades.

Outro ponto de atenção é a tentativa de utilizar o MEI para mascarar relações de trabalho que deveriam ser regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Fiscalizações podem ocorrer a qualquer momento, incluindo verificações trabalhistas, fiscais e previdenciárias.

Cenário atual

O modelo de Microempreendedor Individual foi criado para incentivar a formalização e reduzir a informalidade no país. Com regras simplificadas, ele permite que pequenos negócios operem com menor burocracia.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de contratar um funcionário amplia o alcance dessas atividades, permitindo crescimento gradual.

Bruna reforça que o uso correto do regime é essencial para evitar problemas futuros. “Deve ter Carteira de Trabalho assinada e registro obrigatório no eSocial”, afirma.

Caminho para crescimento

Para muitos empreendedores, o MEI funciona como porta de entrada para o mercado formal. A contratação de um funcionário pode representar um primeiro passo na expansão do negócio.

No entanto, à medida que a empresa cresce, pode ser necessário migrar para outros regimes, com maior capacidade de contratação e faturamento.

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