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Economia

Confiança empresarial cai e reforça cenário econômico atual

Queda consecutiva do indicador reflete piora nas expectativas e aumento das incertezas globais

Confiança empresarial cai e reforça cenário econômico atual

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) registrou nova retração em abril de 2026, marcando o terceiro recuo seguido e trazendo um alerta sobre as atividades econômicas no país. Segundo informações divulgadas pela FGV, o indicador caiu 1,0 ponto no mês, atingindo 90,6 pontos, o que reforça uma desaceleração já observada no trimestre. Na média móvel trimestral, o índice também recuou, deixando claro um movimento de perda de confiança por parte dos empresários.

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Expectativas em queda pressionam o índice geral

A principal pressão sobre o ICE em abril veio do Índice de Expectativas Empresariais (IE-E), que recuou 1,9 ponto, chegando a 88,1 pontos. Esse é o terceiro mês consecutivo de queda, interrompendo uma sequência de alta registrada no final de 2025 e início de 2026. O movimento indica um aumento do cuidado entre empresários em relação ao desempenho futuro da economia.

Entre os componentes do IE-E, houve queda significativa no indicador que mede o otimismo com a demanda para os próximos três meses, que recuou 2,7 pontos. Além disso, as projeções para os negócios no horizonte de seis meses também pioraram, com redução de 1,2 ponto.

Cenário atual permanece estável, mas sem sinais de avanço

Diferente das expectativas, o Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) se apresentou estável, com uma pequena queda de 0,1 ponto, ficando em 93,2 pontos. Ao longo de 2026, o indicador tem mudado pouco, sugerindo que o nível de atividade econômica não sofreu mudanças significativas até o momento.

Dentro desse índice, a avaliação sobre a situação atual dos negócios teve pequena melhora, com alta de 0,7 ponto. Por outro lado, o indicador que mede o nível de demanda no presente caiu 0,8 ponto.

Queda da confiança atinge quase todos os setores

A queda da confiança empresarial atingiu três dos quatro principais setores da economia analisados: indústria, serviços e construção. O setor de comércio foi a única exceção, registrando alta de 1,6 ponto, impulsionada por uma melhor avaliação da demanda atual.

A construção apresentou um dos desempenhos mais fracos, com queda de 1,0 ponto, seguida pela indústria (-0,8) e serviços (-0,6). Em todos esses casos, a piora acontece pela percepção do momento atual quanto pelas expectativas futuras.

Na análise por disseminação, apenas 35% dos segmentos registraram alta na confiança em abril, número menor quando comparado ao mês anterior. O destaque negativo foi novamente a construção, que teve redução na proporção de segmentos em alta.

Tendência aponta cautela prolongada

Mesmo com quedas consideradas moderadas, o comportamento do ICE nos últimos meses sugere que o ambiente econômico deve permanecer incerto no curto prazo. Combinações externas, dúvidas sobre inflação e juros, além da instabilidade global, devem manter a confiança empresarial incerta nos próximos meses.

Sobre o momento atual, Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV IBRE disse: “A confiança empresarial recuou pelo terceiro mês consecutivo em abril, refletindo a piora das expectativas, enquanto a avaliação da situação atual dos negócios permanece relativamente estável. Ao ampliar a incerteza sobre a trajetória da inflação e dos juros, o conflito no Oriente Médio segue como o principal fator de preocupação das
empresas. Embora a queda do ICE nos últimos meses tenha sido moderada, a persistência do
conflito tende a manter os níveis de confiança em patamares baixos por mais tempo”.

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