Tensões e conflitos relacionados às terras raras são frequentemente citados, visto as novas dinâmicas de exportação e demandas de consumo que apenas a exploração dessas regiões são capazes de suprir. Mas o que exatamente são as terras raras?
Elas constituem um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, chips, semicondutores, baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, foguetes e armamentos.
Os ímãs mais potentes são feitos a partir de ligas de terras raras, como o neodímio e o samário, podendo receber a adição de disprósio em algumas aplicações para garantir maior estabilidade térmica, sobretudo em contextos de alta performance.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China, que também lidera a extração e o refino desses minerais — com cerca de 70% da produção mundial.
Por que as terras raras são disputadas?
Essenciais para setores estratégicos, esses elementos são muito utilizados nas áreas de tecnologia, defesa e transição energética. No entanto, assim como o próprio nome sugere, não há muitos fornecedores desses materiais pelo mundo.
Nesse caso, como a China possui a maior parte da produção e comercialização, qualquer tipo de imposto, taxa ou conflito com a economia chinesa pode variar os preços de envio, o que encarece a produção de todos os produtos derivados dos elementos extraídos nas terras raras.
Onde o Brasil possui terras raras?
Segundo o g1, o Brasil possui grandes reservas de elementos altamente disputados, como o nióbio, o lítio, o grafite, o cobre, o cobalto, o urânio e os terras raras.
A Bacia do Parnaíba, que abrange os estados do Maranhão, Piauí e Ceará, é um dos espaços em que há boas reservas. Em Goiás, Amazonas, Minas Gerais e Bahia o país também conta com esses elementos.
No entanto, o Brasil tenta reconhecer uma ilha submersa a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul como parte do território brasileiro. A chamada Elevação do Rio Grande (ERG) é uma formação geológica a qual estudos indicam possibilidade de vasta reserva desses minerais.
Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgadas pela Agência de Notícias da Indústria, indicam que a demanda pelas terras no país deve crescer 6 vezes no período já iniciado em 2024 até 2034, saltando de cerca de 1 mil toneladas para mais de 6 mil.
Em meio a um cenário de busca por esses elementos essenciais para diversos produtos, o Brasil já caminha para alcançar autonomia da produção industrial envolvendo as terras raras. Ainda de acordo com a Agência de Notícias da Indústria, um laboratório em Lagoa Santa (MG) possui uma planta-piloto com o potencial de fabricar 100 toneladas por ano de ímãs permanentes, utilizando a liga entre ferro e boro (NdFeB).

