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Geopolítica

Missão empresarial aos EUA busca alinhar setor produtivo a novas regras comerciais

A delegação terá como primeiro compromisso reunião entre o governo e empresários com pares do país americano

Missão empresarial aos EUA busca alinhar setor produtivo a novas regras comerciais

Missão empresarial aos Estados Unidos, que acontece de 8 a 16 de maio, pretende atualizar o setor produtivo brasileiro às novas práticas comerciais adotadas pelo governo norte-americano, assim como promover deliberações diante da reorganização das cadeias produtivas no comércio global. A necessidade de adaptações para as empresas surge pela importância da relação bilateral entre os países a partir do comércio de bens, que somou US$ 246,7 bilhões em insumos industriais nos últimos cinco anos.

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A delegação terá como participantes empresários, presidentes de federações de indústrias, representantes de associações industriais e do governo brasileiro, responsáveis por compreender, a partir do encontro, o cenário econômico e apresentar as prioridades do comércio brasileiro. A necessidade de novas deliberações pode estar associada também à queda das exportações para o país norte-americano no último ano, com retração de 6,6% nas vendas, segundo informações do governo.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), responsável por liderar a missão, o intuito é aprofundar o diálogo bilateral entre os setores público e privado. “Brasil e EUA mantêm uma relação econômica sólida e estratégica, baseada em comércio, investimento e integração produtiva”, disse. “Nós levaremos aos Estados Unidos empresários que têm relação com o mercado americano, para aprofundar o diálogo público-privado entre nossos países e fortalecer a nossa relação econômica”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, que chefiará a comitiva empresarial.

Tensões geopolíticas e protecionismo

A missão terá como primeiro compromisso uma reunião, em Washington, entre o governo e o setor privado com pares dos Estados Unidos para discutir medidas de aproximação entre os países, momento em que o setor produtivo brasileiro deve apontar as prioridades em um cenário de mudanças na política comercial americana. Em Nova York, a delegação participará de um evento com diplomatas e especialistas para discutir os impactos da onda de protecionismo e tensões geopolíticas sobre o Brasil.

A última programação da missão está prevista para acontecer em Boston, onde os representantes brasileiros participarão de um briefing sobre inteligência artificial e transição energética no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Eles também realizarão uma visita ao campus da Universidade de Harvard, entre os dias 15 e 16 de maio.

Conforme aponta a Agência de Notícias da Indústria, o comércio exterior brasileiro passou a ser afetado após o governo dos EUA retomar a política comercial America First, classificada pelo mercado como uma medida protecionista, que impôs uma tarifa adicional de 10% sobre as importações brasileiras, bem como de 25% para produtos específicos, a exemplo das vendas de aço e alumínio.

A disputa por poder entre os Estados Unidos e a China também aparece nesse contexto a partir da adoção de uma série de retaliações promovidas por ambas as potências no comércio exterior. Na avaliação da CNI, apesar do esforço do Brasil para se adaptar às mudanças, os riscos de redirecionamento de importações vindas de outras economias pode afetar alguns setores.

Parceria comercial

Juntamente com a China, os Estados Unidos continuam sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Segundo levantamento com dados da ComexStat, em 2024, as exportações brasileiras para os EUA alcançaram US$ 40,4 bilhões, resultado que representa um crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior. No mesmo sentido, a indústria de transformação respondeu por mais de 80% das exportações brasileiras ao mercado americano, nos últimos dez anos.

“A relação também é marcada por forte intercâmbio de investimentos. Os EUA são o principal investidor no Brasil, totalizando mais de US$ 350 bilhões em 2023, com destaque para os setores de comunicações, automotivo, petróleo e gás, serviços financeiros e energias renováveis”, aponta. O país norte-americano também foi o principal destino dos investimentos brasileiros no exterior, somando US$ 22,1 bilhões em 2023″, aponta a CNI.

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