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Política

Por que os candidatos com maiores intenções de votos também são os mais rejeitados?

Lula e Flavio Bolsonaro aparecem como os principais nas pesquisas eleitorais e nas avaliações de rejeição

Por que os candidatos com maiores intenções de votos também são os mais rejeitados?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem no centro da disputa eleitoral pelo Palácio do Planalto, com maiores índices tanto nas intenções de voto quanto na avaliação de rejeição por parte da população brasileira. Em meio aos resultados, surgem dúvidas sobre os nomes serem, ao mesmo tempo, os mais competitivos e os que enfrentam maior resistência.

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Resultado da pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (05), aponta que no cenário de segundo turno os dois pré-candidatos empatam tecnicamente, com o alcance de 44% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e de 43% para o presidente Lula. Em relação à avaliação de rejeição, o atual chefe do Executivo aparece em primeiro lugar, sendo citado por 44% dos entrevistados, seguido por Flávio Bolsonaro, que aparece com 41%.

Polarização

O cientista político e colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, explica que o cenário de polarização no país reforça a concentração da disputa entre apenas dois polos, em um movimento que estimula posicionamentos políticos alinhados a um dos lados e, automaticamente, contrários ao outro. Esse ambiente também dificulta a abertura para alternativas à Presidência, limitando o espaço de crescimento de candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, fator observado também na última eleição.

“Lula tem um eleitorado cativo importante. É o único representante da esquerda na disputa. Portanto, aconteça o que acontecer, não obterá menos de 40% dos votos válidos. Flávio, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está bem posicionado”, explicou. “É fato, porém, que tanto Lula quanto Flávio apresentam também índice de rejeição elevado. Mas isso não é suficiente para garantir espaço para que uma terceira via se estabilize. Basta olhar para 2022”, disse o especialista político.

Redes sociais reforça ambiente divido

Segundo o levantamento “Termômetro das redes: eleições 2026”, divulgado recentemente pela empresa And, All, ao avaliar mais de 20 mil interações nas redes sociais sobre as eleições deste ano, o debate concentra questionamentos sobre a credibilidade e as constantes disputas de narrativa, com participação principalmente no X. “Polarização já é o principal organizador da conversa. Embora ‘Entusiasmo crescente’ permaneça presente, o tema predominante no período mais recente é o ‘Clima polarizado’, o que indica uma transição rápida do interesse eleitoral para o confronto narrativo”, aponta o documento.

As menções citam principalmente o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, nomes apontados em publicações de agendas formais de campanha, mas também em conteúdos interpretativos, como a disputa sobre quem lidera a corrida eleitoral. A percepção de risco é avaliada como o motivo que puxa as principais interações, a exemplo da leitura de favoritismo.

Rejeição de Lula

A preocupação sobre a percepção da população pode estar pesando principalmente sobre o presidente Lula, reeleito em 2022 após disputa acirrada com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que enfrenta agora o filho do seu principal opositor nas urnas em 2022, Flávio Bolsonaro. Além disso, o governo enfrenta duas recentes derrotas no Congresso Nacional, pressão sobre a economia, assim como passa por resistência à aprovação do fim da escala 6×1, pauta que pode auxiliar o atual chefe do Executivo a recuperar os seus índices nas intenções de votos.

“O fato é que, desde o início do ano, o noticiário tem sido dominado pelos trabalhos na CPMI do INSS, por questões envolvendo Fábio Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), pelo caso do Banco Master, pelo desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) e, mais recentemente, pelos efeitos da guerra no Irã, como o aumento do preço dos combustíveis”, explica Cristiano Noronha.

Avaliação do governo Lula

Aprovação geral

  • Desaprova: 52%
  • Aprova: 42%
  • Não sabe: 6%

Avaliação detalhada

  • Ótimo/Bom: 27%
  • Regular: 23%
  • Ruim/Péssimo: 48%

Percepção da economia

  • Pior que no governo anterior: 40%
  • Melhor: 31%
  • Igual: 25%

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