44% dos brasileiros concordam que as apostas online, conhecidas como bets, devem ser proibidas no país, enquanto 59% afirmam que as plataformas provocam endividamento.
Os dados fazem parte da pesquisa Meio/Ideia, realizada entre os dias 1º e 5 de maio com 1.500 entrevistas telefônicas em todo o Brasil. O levantamento também aponta que 61,9% dos entrevistados acreditam que as bets causam vício.
O estudo foi realizado com eleitores acima de 16 anos e possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05356/2026-BRASIL.
Além da percepção sobre impactos financeiros e comportamentais, o levantamento identificou crescimento da prática de apostas dentro das famílias.
Entre adultos de 25 a 34 anos, 34% afirmaram que algum familiar apostou recentemente e 31% disseram acreditar que parentes utilizam plataformas de apostas escondidos.
Endividamento aparece entre principais preocupações
Os dados da pesquisa mostram que a relação entre apostas e problemas financeiros concentra uma das maiores taxas de concordância do levantamento.
Entre os entrevistados, 59% disseram acreditar que as bets provocam endividamento, enquanto 19% discordaram da afirmação. Outros 22% responderam não saber.
Ao serem questionados sobre vício em apostas online, 61,9% concordaram que as plataformas podem gerar comportamento compulsivo. Outros 16% discordaram, enquanto 22,1% afirmaram não ter opinião formada sobre o tema.
A pesquisa ainda mostrou divisão em relação ao funcionamento das plataformas no país. Quase metade dos entrevistados, 44%, declarou concordar com a proibição das bets no Brasil. Em contrapartida, 24% discordaram da medida e 32% disseram não saber responder.
Debate sobre propaganda divide entrevistados
O levantamento também mediu a opinião sobre publicidade das empresas de apostas. Entre os participantes, 33% defenderam que as bets continuem operando no país, mas sem autorização para propaganda.
Outros 38,5% discordaram da restrição à publicidade, enquanto 28,5% responderam não saber qual posição adotar sobre o tema.
A pesquisa apontou ainda resistência à ideia de que a responsabilidade sobre o jogo seja exclusivamente individual.
Nesse ponto, apenas 24% concordaram com a afirmação de que as bets devem continuar funcionando porque a decisão de apostar pertence exclusivamente ao usuário. Já 49% discordaram da frase e 27% responderam não saber.
Homens e adultos entre 45 e 59 anos lideram apostas
A pesquisa Meio/Ideia também investigou o perfil dos brasileiros que utilizaram plataformas de apostas recentemente. Entre os entrevistados, 25% afirmaram ter feito apostas online nos últimos 30 dias.
Entre homens, o índice chegou a 28,8%. No público feminino, o percentual ficou em 21,5%. A diferença também apareceu nas respostas negativas: 71,2% dos homens disseram não ter apostado recentemente, contra 78,5% das mulheres.
Por faixa etária, os maiores percentuais foram registrados entre pessoas de 45 a 59 anos, grupo em que 28,3% afirmaram ter apostado no período analisado. Entre adultos de 25 a 34 anos, o índice ficou em 26,7%.
Na faixa de 35 a 44 anos, 24,8% disseram ter utilizado bets nos últimos 30 dias. Entre jovens de 16 a 24 anos, o percentual foi de 22,4%. O menor índice apareceu entre pessoas com mais de 60 anos, com 21,3%.
Norte lidera percentual de apostadores
Os dados regionais mostram diferença significativa entre os estados brasileiros. A região Norte apresentou o maior percentual de pessoas que afirmaram ter feito apostas recentemente, com 41,4%.
O Centro-Oeste apareceu em seguida, com 28,3%, enquanto o Nordeste registrou 26,4%. No Sul, o percentual ficou em 23,6%. O menor índice foi identificado no Sudeste, com 20,6%.
A pesquisa também apontou diferenças por renda. Entre pessoas com rendimento de até um salário mínimo, 25,8% afirmaram ter apostado recentemente. Na faixa entre um e três salários mínimos, o percentual chegou a 26,6%.
Entre entrevistados com renda de três a cinco salários mínimos, 25,7% disseram ter utilizado plataformas de apostas nos últimos 30 dias. Já entre aqueles com rendimento superior a cinco salários mínimos, o índice caiu para 16,7%.
Apostas avançam dentro do ambiente familiar
Além do uso individual das plataformas, a pesquisa identificou presença crescente das bets dentro do ambiente familiar. Entre os entrevistados, 26,4% afirmaram que algum familiar apostou recentemente.
Outros 51% disseram não ter conhecimento de casos dentro da família, enquanto 22,6% responderam não saber. O levantamento também perguntou sobre apostas realizadas sem conhecimento de parentes.
Nesse caso, 28% afirmaram acreditar que algum familiar aposta escondido. Outros 72% disseram não enxergar esse comportamento dentro de casa.
A pesquisa Meio/Ideia foi realizada por telefone com base em dados da PNAD 2025, do Censo 2022 do IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral.

