O principal diplomata da China, Wang Yi, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversaram em Pequim nesta quarta-feira (06) em meio ao aumento das tensões entre a pressão diplomática para a abertura do Estreito de Ormuz.
Segundo o The New York Times, o governo de Donald Trump pressiona a China a aumentar a pressão sobre o Irã em relação à passagem de petróleo.
Para os chineses, esse é um esforço cauteloso para incentivar o fim da guerra, buscando, ao mesmo tempo, evitar o envolvimento direto no conflito.
Além disso, o encontro acontece às vésperas do recebimento do presidente dos Estados Unidos em uma cúpula com o presidente Xi Jinping na próxima semana. A expectativa é de que eles discutam sobre a guerra com o Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Na última terça-feira (05), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a jornalistas em Washington que a China deveria pressionar o ministro iraniano para que abrisse a hidrovia durante sua visita.
“Espero que os chineses lhe digam o que ele precisa ouvir, que é o fato de que o que vocês estão fazendo no estreito está causando o seu isolamento global. […] É do interesse da China que o Irã pare de fechar o estreito. Isso também está prejudicando a China”, afirmou Rubio.
Vale lembrar que, apesar do cessar-fogo na região, o Estreito de Ormuz bloqueado impede a passagem de navios petroleiros que levam combustíveis para boa parte dos países. A crise energética pressiona diversas nações, como os EUA e a própria China.
China se mantém discreta
Em dois meses de guerra, a China manteve posição cautelosa e discreta em relação aos principais envolvidos no conflito.
Como mostrado nesta matéria do O Brasilianista, o movimento é visto como uma estratégia de se posicionar como uma espécie de pacificadora, ao mesmo tempo em que busca manter distância da guerra.
Dessa forma, a China coloca como prioridade evitar qualquer tensão com Washington, ao mesmo tempo que procura se apresentar como uma grande responsável pela pacificação do conflito.
China ganha ou perde com a guerra?
O país asiático está em posição delicada em meio a guerra entre Irã e Estados Unidos. Ao mesmo tempo que possui uma vantagem competitiva com o envio de petróleo do Irã, o país não consegue se indispor em larga escala contra os EUA para evitar novos conflitos ou sanções.
Altamente dependente de petróleo para manter a sua demanda energética, China e Irã possuem acordos que facilitam a entrada da commodity em Pequim, que aparece nos bastidores ampliando sua presença por meio de tecnologia espacial, inteligência estratégica e análise militar, transformando o conflito em uma oportunidade para medir forças globais e estudar falhas americanas.
Como mostrado anteriormente pelo O Brasilianista, o Irã aproveitou o bloqueio e as ameaças dos EUA para acumular um alto volume de petróleo em navios que podem garantir o abastecimento de seu principal comprador, Pequim, por semanas ou até meses, mesmo diante de interrupções do estreito por parte dos norte-americanos.
Ou seja, mesmo com o bloqueio dos EUA, o Irã conseguiria suprir sua própria demanda de combustíveis e ainda ganhar dinheiro com a venda para a China, que recebe o petróleo com facilidades fiscais.
Por outro lado, uma possível indisposição diplomática com os EUA poderia resultar em ataques militares na China, que não pode se fragilizar com uma guerra neste momento.

