O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (07) em que um dos principais tópicos será a negociação de terras raras.
Em abril, a mineradora de terras raras Serra Verde, única em operação no país, foi adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth, em um movimento considerado estratégico para o setor de minerais críticos.
Isso porque os elementos são essenciais para setores como o automotivo ou de tecnologia e armamentos. No entanto, podem causar dúvidas sobre uma maior intervenção dos EUA na exploração do material.
Venda milionária
A compra está avaliada em US$ 2,8 bilhões. Do total, US$ 300 milhões serão repassados em dinheiro, enquanto 126,9 milhões de novas ações serão emitidas para viabilizar a transação de compra.
Segundo a USA Rare Earth, empresa que trabalha com a produção de ímãs e na exploração de terras raras, a operação de venda está prevista para ser concluída até terceiro trimestre de 2026.
A projeção é de que a empresa alcance entre US$ 550 a 650 milhões em lucro bruto até 2027. As expectativas para 2030, são ainda maiores, com projeção de cerca de US$ 1,8 bilhão a partir da Serra Verde.
O que acontece no Brasil com a venda?
A mineradora Serra Verde é a única capaz de realizar extrações de terras raras, visto as dificuldades que o país possui de explorar e produzir essas ferramentas.
Com a medida, dois principais dimensões de impactos devem ser considerados na manutenção das terras raras no Brasil: os socioambientais e implicações geopolíticas.
O governo questiona a constitucionalidade dessa venda, pois a licitação para explorar o subsolo do Brasil é exclusivamente de determinação do governo federal.
O que são terras raras?
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, as terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, que ganham esse nome por serem de de difícil extração e refino.
Entre eles, estão os elementos lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.
O Brasil é o segundo país com maior reserva desses elementos, possuindo 23% das reservas de minerais, com um total de 21 milhões de toneladas, localizadas em Minas Gerais, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima. Fica atrás somente da China, que possui cerca de 49% das reservas.
Dessa forma, outras nações dependem majoritariamente das produções chinesas para manter elementos essenciais, como a indústria bélica.
Exploração por 15 anos
Além disso, o contrato com a Serra Verde prevê um fornecimento de 15 anos para uma Empresa de Propósito Específico (“SPV”), capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e por capital privado, com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas. As informações são da Agência Brasil.
A companhia atualmente explora a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil e que produz quatro das terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprosio (Dy), Térbio (Tb), Neodímio (Nd) e Ítrio (Y).
Esses elementos são essenciais para fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, bem como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

