O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de reunião, nesta quinta-feira (07), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de reforçar as relações bilaterais entre os países após alguns meses de aumento das tensões geopolíticas causadas por imigrações, crime organizado e guerra do Irã.
Além desses temas, é possível que o petista leve o tema da Venezuela e a situação de Cuba, bem como a crise energética. Na oportunidade, os líderes devem deliberar também sobre o setor de minerais críticos, principal tema de interesse dos EUA no território brasileiro. Ainda de interesse dos americanos, o Pix ainda deve ser mencionado na conversa.
Apesar da manifestação de solidariedade do brasileiro frente ao ataque que Trump passou em Washington, os dois chefes de Estado vem trocando farpas e indiretas ao longo dos últimos meses. Em destaque, Lula vem alegando que não concorda com a política adotada por Trump nos conflitos internacionais.
Os temas que devem ser abordados na conversa entre Lula e Trump
Guerra do Irã
Em entrevista concedida recentemente ao El País em Brasília, Lula criticou Trump e afirmou que o presidente dos Estados Unidos “não tem direito de se levantar pela manhã e ameaçar um país”, comentando sobre a atuação americana em conflitos internacionais.
Trump estaria “jogando um jogo muito equivocado” ao adotar uma estratégia baseada no poder econômico, tecnológico e militar dos EUA como instrumento de pressão sobre outros países.
“Quando alguém é chefe de Estado deve respeitar a soberania de outros países”, disse Lula ao defender limites para ações unilaterais e decisões que envolvem intervenções internacionais.
Ele se refere, principalmente, à guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Com o objetivo de diminuir a produção nuclear do país pérsico, os americanos já enviaram diversas tropas e bombardeou várias regiões do Irã, que em resposta bloqueou a principal passagem de petróleo do mundo.
Um acordo de paz seria fundamental não somente para a segurança global, mas também para a economia e demanda energética.
Imigração e crime organizado
A relação entre os governos se estremeceu ainda mais após um pedido dos EUA para a remoção de um delegado da Polícia Federal (PF) do território norte-americano.
O policial supostamente estava envolvido no caso da prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em resposta, Lula declarou que o governo deve aplicar a reciprocidade caso a remoção do delegado seja efetuada.
Os líderes ainda devem abordar a recente parceria entre a Cooperação Mútua entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime organizado transnacional.
Venezuela e Cuba
O presidente Lula ainda pode mencionar a situação dos países latinos que estão sob diversas restrições por meio dos Estados Unidos.
Desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, o controle das vendas de petróleo da Venezuela é majoritariamente de Washington, o que gera tensões para o Brasil, que também é exportador da commodity.
Ainda, os Estados Unidos cortaram as remessas de petróleo da Venezuela para Cuba desde a captura do presidente venezuelano. O movimento gera uma profunda crise energética e de distribuição de combustíveis no país, visto que o governo de Donald Trump ameaçou impor tarifas a qualquer país que tentasse vender a commodity para Cuba.
Terras raras
Outra negociação importante a ser abordada na conversa entre os chefes de Estado é em relação às terras raras. Esses elementos são essenciais para setores estratégicos, como o automotivo ou de tecnologia e armamentos — e o Brasil tem poder de barganha por ser o segundo país com a maior reserva desses minerais.
No entanto, Lula deve discutir sobre a venda da única mineradora que explorava esses territórios no Brasil, a Serra Verde, a uma controladora americana e os impactos dessa exploração.
Pix
O Pix, meio de transferência imediato e gratuito do Banco Central, é mais uma vez investigado pelos EUA, acusado de prática desleal contra a competitividade.
Apesar das investigações não encontrarem problemas no Pix, Trump ainda fica de olho na possibilidade de criar um modelo parecido.

