O ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, encaminhou na última segunda-feira (05) os anexos da delação premiada em que cita os nomes dos supostos envolvidos na fraude bilionária do grupo financeiro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero.
A delação foi entregue à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsáveis por analisar o conteúdo.
O Brasilianista já mostrou que o nome de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que também negocia delação premiada, é um dos mais cotados para aparecer na delação. A relação entre Vorcaro e Costa garantiu que o BRB cobrisse os rombos do Master.
É preciso destacar que a menção ao nome de uma pessoa numa delação premiada não garante que ela tenha participado do esquema criminoso. Vorcaro terá de provar o crime cometido junto ao citado e como foi a participação do delatado na ilegalidade.
Veja os possíveis nomes que Daniel Vorcaro pode citar na delação
Setor financeiro / Caso Master
- Daniel Vorcaro — banqueiro, dono do Banco Master
- Paulo Henrique Costa — ex-presidente do BRB (Banco de Brasília)
- Augusto Lima — ex-CEO do Banco Master
- André Esteves — banqueiro, ligado ao BTG Pactual
Distrito Federal
- Ibaneis Rocha — ex-governador do DF
- Celina Leão — governadora em exercício / vice-governadora da chapa de Ibaneis
Política nacional
- Michel Temer — ex-presidente da República
- Davi Alcolumbre — senador, presidente do Senado
- Cláudio Castro — governador do RJ
- Deivis Marcon Antunes — ex-presidente do Rioprevidência
- Antônio Rueda — presidente do União Brasil
- ACM Neto — secretário-geral do União Brasil
- Rui Costa — ministro da Casa Civil, ex-governador da Bahia
- Jaques Wagner — senador
- Flávia Peres (ex-Flávia Arruda) — ex-deputada / figura política ligada ao grupo
- Ciro Nogueira — senador e presidente do PP
- Paulinho da Força — deputado federal
- Hugo Motta — presidente da Câmara
- Bianca Medeiros — ligada a Hugo Motta (cunhada)
- Ratinho Júnior — governador do PR
Judiciário (STF)
- Dias Toffoli — ministro do STF
- Alexandre de Moraes — ministro do STF
- Viviane Barci de Moraes — advogada, esposa de Moraes
Veja nesta matéria as conexões de cada um.
Relembre o que aconteceu com o Banco Master
A tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma instituição de economia mista, com o objetivo de cobrir uma possível falência do banco privado, lançou os holofotes no caso, que já vinha sendo investigado pelo Banco Central (BC).
Vorcaro comprou a participação no Banco Master em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.
Conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos.
O esquema funcionava da seguinte maneira: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.
O BC começou a suspeitar após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Dessa forma, quando a tentativa de compra pelo BRB foi recusada, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

