O Congresso Nacional avalia a possibilidade de criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, por meio de um projeto de lei que regularize a exploração e produção mineral no Brasil.
Com o tema em alta, é importante observar a posição do país para realizar essa exploração e os impactos que pode gerar. Para além dos efeitos socioambientais e políticos que a aprovação da medida possa causar, os defensores do texto explicam que há forte potencial no Brasil para minerais estratégicos e terras raras.
O Brasilianista explica a diferença entre os dois e a possibilidade real do país em explorar esses minerais.
Minerais estratégicos e terras raras
Os minerais estratégicos são aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico das nações, geralmente com importância pelo seu uso frequente na produção de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Já as terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, chips, semicondutores, baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, foguetes e armamentos. Os elementos estão presentes na tabela periódica: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.
Ou seja, toda terra rara é um mineral estratégico, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.
apesar de não serem raras em quantidade, são raras em distribuição — o que impede a exploração em ampla escala por diversos países.
Quais os principais minerais que o Brasil possui?
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China, que é líder de extração e o refino desses minerais.
Um relatório de 2025 realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) posiciona o Brasil como quarto lugar mundial como mercado promissor para suprir a demanda de minerais críticos e estratégicos (MCEs) em nível global a partir de sua dotação mineral.
No critério de reservas geológicas, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial, detendo mais de 15% das reservas mundiais de grafita, terras raras, níquel e manganês.
Reservas Minerais do Brasil body { font-family: Arial, sans-serif; } table { border-collapse: collapse; width: 600px; margin: 20px 0; } th, td { border: 1px solid #ccc; padding: 10px; text-align: left; } th { background-color: #0b3d5c; color: #fff; } .bar { height: 12px; background-color: #0b3d5c; }Posição global do Brasil em reservas minerais
Mineral Participação (%) Representação Posição Global Nióbio >95% 1º Grafita 26% 2º Terras Raras 18% 3º Iron ore 18% 1º Manganês 14% 4º Níquel 12% 3ºEntretanto, além da dotação mineral, o país deve possuir os critérios para efetiva obtenção e aplicação dos recursos minerais.
“Neste contexto, o Brasil detém um potencial geológico não apenas diversificado como também proeminente em uma escala global, devido a sua significativa participação nas reservas mundiais de inúmeros minerais considerados críticos. Isso permite ao país se posicionar como ator chave no atendimento à demanda global por uma ampla variedade de minerais críticos para a transição energética, a exemplo dos listados para EUA, União Europeia e China. Este patamar reflete uma perspectiva clara de ascensão enquanto uma liderança no fornecimento de insumos essenciais para tecnologias avançadas”, avalia o IBRAM.
Boa parte dessas reservas estão localizadas em Minas Gerais, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima.
No Brasil, não há exploração em larga escala por diversos motivos, mas principalmente por falta de estrutura industrial, incentivo e questões socioambientais. Vale lembrar que a produção de terras raras consiste no conjunto de operações necessários para transformar minérios em produtos comercializáveis em escala industrial e com alto valor agregado.

