A realização do Brasil–U.S. Industry Day em Nova York reforça a importância econômica da Brazilian Week, agenda que reúne empresários, investidores, bancos e autoridades brasileiras nos Estados Unidos para discutir comércio, investimentos e internacionalização de empresas.
O encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela U.S. Chamber of Commerce acontece em meio a mudanças nas cadeias globais de produção e ao avanço de novas políticas comerciais norte-americanas.
Além dos debates sobre energia, tecnologia, minerais críticos e infraestrutura, a programação da semana também movimenta hotéis de luxo, restaurantes estrelados, aviação executiva e serviços premium voltados ao público corporativo.
O ambiente se consolidou como um dos principais espaços de articulação econômica entre Brasil e Estados Unidos.
A empresária e especialista em posicionamento internacional Simone Salgado afirma que o Brasil–U.S. Industry Day ganhou protagonismo dentro da Brazilian Week por reunir representantes do setor produtivo e investidores internacionais em um mesmo ambiente de negociação.
“O Brasil-U.S. Industry Day, promovido pela CNI e pela U.S. Chamber of Commerce, é um dos encontros mais estratégicos da Brazilian Week por reunir indústria, investidores, autoridades e capital internacional”, destaca.
Vale ressaltar que o Brazillian Week já acontece há alguns anos, mas é a primeira vez que o Brasil–U.S. Industry Day acontece no mesmo contexto, unindo forças.
Evento reúne governo, bancos e indústria em Nova York
Segundo a CNI, o Brasil–U.S. Industry Day será realizado em 11 de maio no The Glasshouse, em Manhattan, com a participação de empresários, representantes financeiros e autoridades brasileiras e norte-americanas.
A programação prevê discussões sobre reindustrialização, energia, economia digital e financiamento de longo prazo.
O encontro contará com executivos da Gerdau, Vale, PepsiCo, Merck, Bank of America, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com a Agência de Notícias da Indústria, cerca de 300 lideranças público-privadas devem participar do evento.
A entidade informou que os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira e principal investidor estrangeiro no país.
A CNI também apresentou dados econômicos ligados à relação bilateral. Segundo a entidade, cada R$ 1 bilhão exportado aos Estados Unidos em 2024 gerou 24,3 mil empregos e movimentou R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil.
Ambiente de luxo acompanha negociações empresariais
Simone Salgado explica que a estrutura montada durante a Brazilian Week vai além dos fóruns econômicos e envolve uma ampla rede de serviços voltados ao público de alta renda.
“É um evento simplesmente de primeiríssima linha, acontece nos hotéis como Four Seasons, hotéis luxuosos ou em restaurantes cinco estrelas, escritórios executivos”, afirma.
A especialista relata que a semana concentra centenas de encontros paralelos em rooftops privados, restaurantes estrelados, clubes executivos e hotéis de luxo espalhados por Manhattan.
Segundo levantamento do O Brasilianista com base nas plataformas de viagem, os custos de hospedagem em Nova York variam de acordo com o perfil do evento e da localização escolhida pelos empresários.
Dados da Trivago apontam que diárias em hotéis de luxo próximos da Times Square podem ultrapassar R$ 10 mil.
O Plaza Hotel, um dos mais tradicionais da cidade, registrava tarifas acima de R$ 10,3 mil por noite em maio de 2026.
O levantamento também mostrou alternativas mais acessíveis para executivos que participam da agenda empresarial.
Hotéis como Pod Times Square, Hampton Inn Manhattan e The Gallivant apresentavam diárias entre R$ 698 e R$ 1,3 mil.
Passagens e logística elevam custo da semana empresarial
Os gastos com deslocamento também fazem parte da estrutura da Brazilian Week. Levantamento do O Brasilianista com base nas plataformas de turismo Skyscanner e Kayak mostrou que passagens aéreas saindo de Brasília ou São Paulo para Nova York, sem paradas, saindo no dia 9 e voltando dia 15 custam mais de R$ 10 mil em classe econômica, com opções da Latam, Delta e American Airlines. Na executiva, há uma opção de voo da United saindo de São Paulo com valor superior a R$ 70 mil e sem escalas. Já a primeira classe, só tem opções com escalas que começam em R$ 92.941.
Pacotes completos com hospedagem e passagens oferecidos por companhias aéreas chegam perto de R$ 30 mil para duas pessoas.
Segundo a Latam, opções com hospedagem em hotéis próximos da Times Square variam entre R$ 27 mil e R$ 29 mil por casal.
Simone Salgado afirma que muitos empresários participam da agenda mesmo com os custos elevados devido ao potencial de conexão internacional.
“Os próprios executivos ou empresários que entendem o poder de estar nesses eventos bancam ou com base no corporativo ou do próprio bolso”, explica.
A especialista acrescenta que a circulação de empresários durante a semana também impulsiona setores ligados à aviação executiva, concierge, segurança privada, transporte premium e assessoria de imagem.
Relação comercial enfrenta novo cenário global
Conforme informou O Brasilianista, a missão empresarial organizada pela CNI acontece em meio ao avanço de medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e às tensões comerciais envolvendo grandes economias globais.
A delegação brasileira terá reuniões em Washington, Nova York e Boston para discutir estratégias comerciais, integração produtiva e os impactos das mudanças tarifárias norte-americanas.
O comércio bilateral de insumos industriais entre Brasil e Estados Unidos movimentou US$ 246,7 bilhões nos últimos cinco anos. Exportações brasileiras para os EUA tiveram retração de 6,6% no último ano.
A programação da missão inclui debates sobre inteligência artificial, transição energética e geopolítica econômica.
Representantes brasileiros também participarão de encontros no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e em Harvard.
Restaurantes estrelados viram palco de articulações
A gastronomia de luxo também faz parte da dinâmica empresarial da Brazilian Week. Segundo levantamento feito pelo O Brasilianista, jantares em restaurantes estrelados pelo Guia Michelin em Nova York podem variar entre US$ 80 e mais de US$ 900 por pessoa, dependendo da categoria do estabelecimento.
Os restaurantes com uma estrela Michelin apresentam contas médias entre US$ 80 e US$ 200 por cliente. Já experiências em casas três estrelas podem ultrapassar US$ 500 por pessoa, sem considerar bebidas e gorjetas.
O Guia Michelin destacou restaurantes como Casa Mono, Crown Shy, Jeju Noodle Bar e Semma entre os estrelados com menor custo em Nova York.
Simone Salgado avalia que esses encontros funcionam como espaços de aproximação empresarial e política.
“A intencionalidade número um é realmente de posicionamento político, internacionalização e geração de negócios entre os dois países”, afirma.

