A produção industrial brasileira registrou leve alta de 0,1% em março de 2026 na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do avanço modesto, o resultado marca o terceiro mês consecutivo de crescimento da indústria nacional, que acumula expansão de 3,1% no período, segundo informações da Agência IBGE.
Na comparação com março de 2025, o desempenho foi mais expressivo: crescimento de 4,3%. Já no acumulado do primeiro trimestre do ano, a indústria avançou 1,3%, enquanto o indicador de 12 meses mostrou alta de 0,4%.
Os números reforçam uma trajetória gradual de recuperação do setor industrial após meses de instabilidade observados no fim de 2025.
Indústria mantém recuperação, mas segue distante do recorde
Com o resultado de março, a produção industrial brasileira passou a operar 3,3% acima do nível registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. Ainda assim, o setor continua 13,9% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Entre os setores com maior impacto positivo em março, destaque para coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceram 2,2% e acumulam quatro meses seguidos de expansão. O setor de produtos químicos também avançou 4,0%, recuperando parte das perdas registradas no mês anterior.
Outras atividades que contribuíram para o resultado positivo foram:
- veículos automotores, reboques e carrocerias (+1,1%);
- metalurgia (+1,2%);
- máquinas e equipamentos (+1,0%).
Segundo o IBGE, a indústria automotiva teve papel importante tanto no desempenho mensal quanto na comparação anual, impulsionada pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças.
Setores em queda limitaram avanço
Apesar do resultado positivo no consolidado, 16 dos 25 ramos pesquisados registraram retração em março.
As principais quedas vieram dos segmentos de:
- bebidas (-2,9%);
- máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%);
- móveis (-6,0%);
- vestuário e acessórios (-4,1%).
Também houve recuo em alimentos, papel e celulose, produtos de madeira e eletrônicos. O cenário mostra que a recuperação industrial ainda ocorre de maneira desigual entre os diferentes segmentos da economia.
Bens de consumo duráveis lideram expansão
Entre as grandes categorias econômicas, o maior destaque ficou com os bens de consumo duráveis, que avançaram 1,7% em março e acumulam alta de 9,9% nos últimos três meses.
O resultado foi impulsionado principalmente pela fabricação de automóveis, além do crescimento na produção de eletrodomésticos e motocicletas.
Já os setores de bens de capital, bens intermediários e bens de consumo semi e não duráveis também apresentaram crescimento no mês, sinalizando uma recuperação mais disseminada da atividade industrial.
Crescimento anual ganha força
Na comparação com março do ano passado, a indústria brasileira cresceu 4,3%, com desempenho positivo em 19 das 25 atividades pesquisadas.
Os destaques foram:
- veículos automotores (+18,7%);
- produtos alimentícios (+5,7%);
- indústrias extrativas (+4,7%);
- derivados de petróleo e biocombustíveis (+4,2%).
O setor automotivo registrou sua melhor taxa desde novembro de 2024, refletindo a recuperação da demanda e do ritmo de produção. Além disso, a indústria de bens de capital, ligada à produção de máquinas e equipamentos, voltou a crescer após nove meses consecutivos de retração.

