A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou nesta quinta-feira (07) que o parlamentar está disposto a colaborar com as investigações da Operação Compliance Zero e negou qualquer envolvimento em atividades ilícitas. Em nota divulgada após o nome do senador aparecer entre os investigados da operação, os advogados reforçaram que Ciro pretende contribuir com a Justiça para esclarecer os fatos apurados pela investigação, que mira supostas fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A manifestação ocorre depois de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou medidas relacionadas à nova fase da operação conduzida pela Polícia Federal. O caso envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e uso de ativos financeiros ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Defesa rebate suspeitas e critica medidas investigativas
Na nota divulgada à imprensa, os advogados do senador afirmam que não há participação de Ciro Nogueira nos fatos investigados e criticam o uso de trocas de mensagens como fundamento para medidas cautelares consideradas invasivas.
Confira a nota na íntegra:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”.
Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria relação próxima com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O despacho de André Mendonça aponta suspeitas de que o parlamentar teria recebido apoio financeiro em troca de articulações favoráveis ao grupo em Brasília.
Relatórios da Polícia Federal mencionados na investigação indicam ainda que o senador teria recebido pagamentos mensais desde 2021. De acordo com os documentos, os valores teriam começado em R$ 300 mil e chegado a R$ 500 mil em 2023, conforme apuração do O Brasilianista.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema que teria provocado prejuízo superior a R$ 50 bilhões ao Sistema Financeiro Nacional. As apurações envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e utilização de ativos financeiros sem garantia real.
Irmão do senador também virou alvo da operação
Além de Ciro Nogueira, o irmão do senador, Raimundo Nogueira, também passou a ser investigado na quinta fase da operação, deflagrada na última quinta-feira (07). A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele.
De acordo com a decisão do STF, Raimundo é suspeito de atuar como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”. O ministro André Mendonça determinou ainda que os irmãos não mantenham contato com outros investigados, inclusive entre si.

