O nível de endividamento das famílias brasileiras voltou a subir e alcançou 80,9% em abril de 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado representa um novo recorde e marca mais um mês de alta, reforçando a tendência de crescimento da inadimplência no país.
O avanço foi de 0,5 ponto percentual em relação a março, quando o índice estava em 80,4%. O dado reforça a pressão financeira sobre os lares brasileiros em um cenário de crédito ainda caro e orçamento doméstico mais apertado.
Cartão de crédito segue como principal fonte de dívida
O documento do levantamento compartilhado pelo Poder360 mostra que o cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de endividamento das famílias, concentrando também os juros mais elevados do sistema financeiro. Em seguida aparecem os carnês de lojas e o crédito pessoal, que também contribuem de forma significativa para o aumento das dívidas.
O estudo aponta ainda que o cenário de inadimplência permanece elevado, com impacto direto na capacidade de pagamento dos consumidores e no equilíbrio financeiro das famílias.
Inadimplência e contas em atraso seguem altos
As famílias com contas em atraso representaram 29,7% em abril, número acima do registrado no mesmo período de 2025. Já o grupo que declarou não ter condições de quitar dívidas vencidas permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo.
Entre os consumidores inadimplentes, quase metade acumula débitos com mais de 90 dias de atraso, enquanto o tempo médio das dívidas vencidas se manteve em cerca de 65 dias, indicando uma estabilização em níveis elevados de atraso.
Cenário pode seguir pressionado nos próximos meses
Segundo projeções da CNC, o endividamento pode continuar em trajetória de alta no curto prazo, dependendo do comportamento da renda das famílias e da inflação, especialmente em itens essenciais como energia e combustíveis.
Endividamento cresce em todas as faixas de renda
O levantamento também mostra que o aumento do endividamento atinge todas as classes de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o índice chega a 83,6%, com forte presença de contas em atraso. Já na faixa de três a cinco salários mínimos, o percentual é de 82,8%.
Nas famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, o endividamento alcança 80,1%, enquanto entre aquelas com renda acima de dez salários mínimos o índice é de 70,8%, mostrando que o problema é generalizado, ainda que com diferentes níveis de intensidade.
O contexto também é influenciado pelo valor elevado da taxa básica de juros, que mantém o crédito mais caro e dificulta a reorganização financeira das famílias, contribuindo para a manutenção de níveis altos de dívida e inadimplência no país.
Renegociação de dívidas ganha força com Novo Desenrola
O avanço do endividamento das famílias brasileiras ajuda a explicar a rápida adesão a programas de renegociação como o Novo Desenrola Brasil. Em meio ao cenário atual, a Caixa Econômica Federal registrou as primeiras operações do programa com descontos que chegaram a 75%, evidenciando a busca por alívio imediato no orçamento doméstico.
A iniciativa permite a renegociação de dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e até contratos do Fies, com condições mais flexíveis de pagamento e abatimentos que podem alcançar até 90%.

