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Economia

Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9% nos primeiros meses do ano

Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9% nos primeiros meses do ano

Os planos de saúde coletivos registraram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Apesar de representar a menor variação dos últimos cinco anos, o percentual ainda supera em mais do que o dobro a inflação oficial acumulada no mesmo período.

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Os levantamentos feitos pela ANS consideram os reajustes anuais aplicados pelas operadoras em contratos coletivos, modalidade contratada por empresas, associações de classe e empresários individuais.

O histórico dos reajustes

O índice de 9,90% registrado em 2026 marca o segundo ano consecutivo de diminuição nos reajustes dos planos coletivos, interrompendo um ciclo de alta que havia elevado os percentuais acima de 10% entre 2022 e 2025.

Olhando para a série histórica da ANS, é possível identificar dois momentos distintos nos últimos dez anos: o primeiro entre 2016 e 2021, quando os reajustes passaram de 15,74% para 6,43%; e o atual, iniciado após os 14,13% em 2023. No cenário atual, ainda que os percentuais sigam bem acima da inflação oficial. Vale notar que o reajuste de 2021 continua sendo inferior ao atual, indicando que o mercado ainda não retornou ao patamar mais baixo da última década.

Contratos menores tiveram maiores aumentos

Os reajustes variam conforme o tamanho dos contratos coletivos. Nos planos com 30 ou mais beneficiários, o aumento médio ficou em 8,71% nos primeiros meses de 2026.

De acordo com a ANS, cerca de 77% dos usuários de planos coletivos estão inseridos em contratos com 30 ou mais beneficiários. Diferentemente dos planos individuais e familiares, em que a própria agência define o teto de reajuste, os contratos coletivos funcionam por meio de negociação entre a operadora e a empresa ou entidade responsável pelo plano.

Setor registra lucro recorde

Os dados mais recentes da ANS apontam que o Brasil contabilizava 53 milhões de vínculos em planos de saúde em março de 2026. O número representa crescimento de 906 mil contratos em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os beneficiários, 84% estão vinculados a planos coletivos. A agência também informou que o setor de saúde suplementar encerrou 2025 com receitas totais de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado pela série histórica.

Percentual supera inflação oficial

O cenário de inflação elevada e juros altos ajuda a explicar por que os reajustes dos planos de saúde continuam pressionando o orçamento das famílias brasileiras, mesmo em um momento de desaceleração dos aumentos. Com a projeção do IPCA de 2026 subindo para 4,89% e a taxa Selic mantida em 13% ao ano, os custos da economia seguem elevados, impactando diretamente despesas médicas, hospitalares e operacionais das operadoras de saúde.

Proteção legal avança para usuários de planos de saúde

No campo jurídico, uma decisão recente reforça os direitos dos beneficiários frente às operadoras. Conforme mostrado em O Brasilianista, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu, em março deste ano, os planos de saúde de limitarem o número de sessões de terapias multidisciplinares para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), determinando que a definição do tratamento cabe ao médico, e não a critérios administrativos das operadoras. A decisão complementa normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que já impediam esse tipo de restrição para transtornos globais de desenvolvimento.

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