Após a saída de Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, da defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso Master, o parlamentar já contratou outro advogado criminalista para ajudá-lo.
O escolhido foi Conrado Gontijo, sócio do Correa Gontijo Advogados, além de Doutor e Mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP).
Ele também é professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Ainda, ele é colaborador do grupo Prerrogativas, ligado à Kakay.
A percepção é de que Kakay teria “terceirizado” sua atuação no caso, visto que os dois advogados estãos ligados aos mesmos grupos, como o Prerrogativas — um canal que publica artigos de opiniões sobre o Direito no Brasil.
Além disso, Conrado Gontijo é afilhado do agora ex-defensor de Ciro Nogueira no caso Master.
Na última quinta-feira (07), a Operação Compliance Zero marcou o senado Ciro Nogueira como alvo da Polícia Federal (PF).
O despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirma que o parlamentar estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro, e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
Saída de Kakay
O escritório de advocacia Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados divulgou nesta segunda-feira (11) uma nota de saída de Castro do caso, indicando que a saída foi realizada em comum acordo. No entanto, não fica claro se Kakay deve representá-lo em outros casos.
Veja a nota:
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o Senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso.”
Mais tarde ainda nesta segunda, o escritório de Kakay complementou a nota:
“A respeito dos reiterados questionamentos sobre os motivos de nossa renúncia no caso do senador Ciro Nogueira, reafirmamos não poder explicitar maiores detalhes, por uma questão ética e em razão do dever de sigilo, que deve orientar sempre a relação advogado e cliente.”
Acusações contra Ciro Nogueira
O despacho de Mendonça que determinou a busca e apreensão de Ciro Nogueira menciona um diálogo entre Vorcaro e um assessor que deixaria a relação entre o banqueiro e parlamentar clara.
Para a defesa, somente mensagens de terceiros não caracterizam vínculo entre os dois.
O Brasilianista mostrou ainda que Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023.
O antigo advogado do caso confirmou a relação comercial entre empresas ligadas à família de Ciro Nogueira e o grupo Master, porém reforçou que o parlamentar não possui participação nelas.
Nota de defesa
Ainda na última quinta-feira (07), a defesa do senador declarou em nota que repudia qualquer associação ilícita sobre suas condutas.
Veja na íntegra:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, declarou a defesa, em nota obtida pelo O Brasilianista.

